Juros por educação: quem sair primeiro ensina o Brasil
- Vozes de Brasília

- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Juros por Educação: quem sair primeiro ensina o Brasil
O Brasil convive há décadas com uma contradição que parece insolúvel: paga juros elevados sobre dívidas públicas enquanto jovens deixam a escola sem formação profissional e o mercado reclama da falta de técnicos qualificados. De um lado, o custo financeiro. Do outro, o custo social. No meio, um desperdício histórico de oportunidade.
O Programa Juros por Educação rompe essa lógica. Pela primeira vez, o país cria um mecanismo que permite converter parte do peso dos juros da dívida em investimento direto em Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Não se trata de criar um novo gasto, mas de redirecionar recursos que já existem para produzir desenvolvimento, produtividade e futuro.
Essa é a grande virada de chave.
Em vez de juros improdutivos, matrículas técnicas.
Em vez de pressão orçamentária estéril, escola conectada ao trabalho.
Em vez de promessa de longo prazo, resultado mensurável no território.
A regulamentação do Programa deixa claro: metas objetivas, dados auditáveis, controle via Sistec, possibilidade de parcerias e foco em permanência e êxito. Ou seja, não é uma política retórica. É engenharia pública aplicada.
Mas, como toda política inovadora, ela traz uma pergunta decisiva: quem vai liderar?
Aqui entra o papel dos estados — e, em especial, do Distrito Federal.
Brasília reúne condições únicas para assumir esse protagonismo. Território compacto, rede educacional gerenciável, diversidade econômica baseada em serviços, tecnologia, saúde e gestão pública, além de uma visibilidade nacional que transforma qualquer acerto em referência imediata. O que funciona no DF vira vitrine. O que dá certo em Brasília tende a se espalhar.
O Programa Juros por Educação permite exatamente isso: transformar o DF em laboratório nacional de uma nova política educacional, onde dívida vira formação, escola vira ponte para o trabalho e educação técnica deixa de ser política periférica para se tornar eixo de desenvolvimento.
Quem sair primeiro colhe três ganhos simultâneos.
O primeiro é fiscal. O recurso já está previsto, a legalidade está assegurada e o investimento passa a ter retorno social claro, reduzindo a pressão política por mais gasto sem resultado.
O segundo é educacional. Cursos técnicos alinhados às demandas reais do território reduzem evasão, aumentam permanência e devolvem sentido à escola para milhares de jovens.
O terceiro é político-institucional. Liderar uma política que funciona gera confiança, atrai parcerias e posiciona o ente federado como referência de boa governança pública.
Não se trata de ideologia, nem de disputa retórica entre público e privado. O Programa é explícito: parcerias são permitidas, desde que a matrícula seja pública, a meta seja cumprida e o estudante permaneça e conclua. O foco deixa de ser o meio e passa a ser o resultado.
O Brasil não precisa de mais programas que nascem grandes no papel e morrem na execução. Precisa de decisões corajosas, tecnicamente bem fundamentadas e politicamente responsáveis. O Juros por Educação oferece exatamente essa oportunidade.
A pergunta, portanto, não é se o Programa é bom.
Ele é necessário.
A pergunta real é: quem vai ter a coragem de liderar primeiro?
Porque, em política pública, quem chega antes não apenas executa.
Define o padrão. Ensina o caminho. Vira referência nacional.
E, desta vez, referência não é discurso.
É escola funcionando, jovem se formando e o dinheiro público trabalhando a favor do futuro.




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