O que está em jogo nas próximas eleições
- Vozes de Brasília

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O que está em jogo nas próximas eleições
Realizar previsões, desde os oráculos gregos, se insere no rol de argumentos sofistas que, mesmo apresentando lógica e coerência na análise, mostra-se falso, em muitas vezes, na realidade prática e na execução.
Não obstante e da análise pré-eleitoral na qual se vive no Brasil, as tendências nos indicam que teremos uma das eleições mais polarizadas da história do País.
Por Sebastião Vitalino da Silva
Em 24/08/2026
Eleições polarizadas:
realmente, uma tendência?
Portanto, da análise da atual cena política nacional, constata-se que há preponderância, no ceio de grande parte da população, de uma visão maniqueísta na forma de como se enxerga a realidade política brasileira.
Com isso, muitos de nossos cidadãos veem a atual cena política de maneira simplificada, resumindo tudo em dois lados opostos e irreconciliáveis, expressos em blocos do bem e do mal, do certo e do errado, ou de mocinhos e ou dos vilões.
Porém, tal visão não puniria quem pensa diferente daqueles que admitem meios-termos ou tons de cinza em seus respectivos ambientes de convívio na sociedade?
Ao que parece, a resposta seria sim.
Ao mesmo tempo e a despeito de um ambiente político polarizado, percebe-se que há um aspecto positivo nessa disputa bipolar, que é a constatação de que mais brasileiros passaram a se interessar por assuntos políticos no país.
Contudo, estaríamos presos nessa armadilha, ou seja, o de uma visão de um mundo político brasileiro bipolar? Mais uma questão difícil de ser predita e de resposta incerta, pois, mais uma vez, precisaríamos de um futurólogo e/ou oráculo para projetar o futuro brasileiro e prever qual desses cenários projetados se realizaria.
Com todos esses ingredientes, a priori, acredita-se em um possível chamamento público à razão, tendo como catalisador um fato portador de futuro, que incluam projetos capazes de despertar no cidadão o consenso, além de se romper com a barreira da bipolaridade política no Brasil.
No entanto, não se observam movimentos nesse sentido, entre as diversas propostas apresentadas por candidatos a cargos majoritários e proporcionais no país, que permitam ao eleitor ter uma visão que gere consenso e que agregue pontos comuns contidas em temáticas que incluiriam, a exemplo, do combate à corrupção, da melhoria dos índices educacionais e da saúde, bem como o aperfeiçoamento da infraestrutura para o desenvolvimento do país.
Por sua vez, as poucas propostas apresentadas são excludentes daqueles que estão posicionados em viés político contrário, além de muito se apostar na tutela como suposta incapacidade do eleitor em realizar escolhas de seus representantes.
Com todas essas circunstâncias, agravadas pela proliferação de “deepfake” na Internet, emerge uma nova questão que é: - o leitor brasileiro estaria apto, preparado a decidir e a votar corretamente?
No imaginário de algumas elites nacionais, acredita-se na necessidade de tutelar o povo, sentimento corroborado por certos formadores de opinião e de poderes políticos, como principal instrumento para manter o cidadão preso a narrativas que melhor lhes convenha, criando-se, com isso, a mística na qual o cidadão brasileiro não sabe escolher e nem tampouco votar, pensamento soberbo que põe em dúvida a própria inteligência das pessoas.
Tutela e/ou “voto de cabresto”
Na verdade, o povo saber ou não escolher, a juízo próprio, oculta do cidadão brasileiro um desejo espúrio daqueles “poderosos de plantão no poder” no sentido de que se deve impor a “tutela” e o “voto de cabresto” ao povo, por eles acreditarem que podem manipular o eleitor durante o processo eleitoral e na vida em sociedade em geral.
Claro que pode acontecer tais circunstâncias no país, no entanto, caracteriza-se que isso tudo não passa de uma visão simplista e preconceituosa de parte daqueles poderosos de plantão no país, que se acostumaram a tratar o povo como se “rebanho” fosse.
Lembra-se que, na atual cena, são poucos os brasileiros que não dispõem de telefone celular conectados à Internet e às redes sociais.
Portanto, há disponibilidade de informações, porém e mesmo assim, continua-se a insistir em regular as redes sociais com suposto objetivo de “proteger a sociedade” da desinformação, como se as pessoas não soubessem discernir o que é certo ou errado, algo que não passaria de uma vontade de “poderosos” em tutelar o cidadão em nome do que considerariam “informação correta”. Isso sim é tremenda hipocrisia!
No que toca ao “voto de cabresto”, prática ainda usual em muitos rincões do país, acredita-se que para demover tal prática abjeta depende menos da visão do Estado e mais do envolvimento do cidadão brasileiro com a política nacional.
Nesse sentido e para coibir tal prática, a informação e a educação política ainda são os melhores antídotos contra o “voto de cabresto”.
Como chegamos a toda essa situação no país?
No país das jaboticabas e dos jabutis “alpinistas de árvores”, considera-se que a necessidade de tutelar o povo e o de se adotar o “voto de cabresto” são verdadeiras distorções no processo político nacional, que precisam ser combatidas não pelo Estado e sim pela sociedade, aspecto que gera a necessidade premente de maior participação popular na cena nacional.
Nesse contexto, considera-se que deve ser a própria sociedade, que precisa se organizar para defender seus interesses e não delegar ao Estado para agir em seu nome.
Sendo mais claro, quando aparece um “buraco na rua” de um bairro do município, não basta tão somente comunicar e/ou reivindicar à administração municipal uma solução para o problema.
O munícipe deve se organizar para que não haja buraco na rua ao cobrar um Plano de Manutenção e Conservação das vias públicas, por exemplo, sendo mais proativo e não reativo.
Como isso não acontece na prática cotidiana de nossas cidades, há um natural distanciamento entre o poder público e o cidadão, ao que parece, gerando constantes atritos entre eles por serem condutas e práticas reativas e não preventivas.
A se manter tal forma de relacionamento entre as administrações públicas e o cidadão, realmente, não se vislumbra a construção de arranjos de gestão que levem a solução do problema, prevalecendo, com isso, a falta de articulação política do cidadão em suas respectivas comunidades e a preponderância de um clima de constante atrito entre o cidadão e o poder público.
A construção e organização comunitária é possível na atual conjuntura?
A construção e a articulação política comunitária implicariam em tempo para que todo o cidadão compreendesse o seu papel na sociedade. Embora isso possa soar um tanto prescritivo, acredita-se que a sociedade brasileira, em geral, precisa desenvolver melhor o senso crítico e ser proativa quando o assunto é gasto público e a melhoria dos serviços oferecidos pelo Estado ao cidadão.
Com demandas crescentes e cada vez mais complexas da sociedade, as comunidades precisam estar organizadas para terem suas necessidades atendidas e que haja, em tudo aquilo que envolva gasto de recursos, prestação de contas (Accountability) do poder público, ação essa a ser realizada com responsabilidade e transparência.
Com todos esses ingredientes, vislumbra-se que há um grande caminho a percorrer para que se tenha maior participação política do cidadão nas decisões delegadas aos órgãos públicos.
Sendo direto, basta de “mimi”, e temos sim que nos organizar para poder ter força e cobrar de todos aqueles que aceitaram o desafio de assumir um cargo público, seja por concurso e por eleições. Isso é a essência da cidadania e da política.
E o que está em jogo nas próximas eleições?
De volta ao tema central deste post, e ao tentar responder à questão acima, com a proximidade das eleições, considera-se que temos mais uma oportunidade em realizar a análise das propostas dos candidatos envolvidos, incluso o perfil individual deles, tendo como foco o interesse público e não individual ou de setores minoritários da sociedade.
Reitera-se, com isso, a necessidade de que as propostas, nelas contidas, reflitam o compromisso do candidato que vise atender ao bem comum e o de apoiar a sociedade como um todo.
Portanto, o que está em “jogo”, nas próximas eleições, mesmo que por um período definido de 4 (quatro) anos, é tudo aquilo que o cidadão almeja para a sociedade e para si durante esse período de tempo ao delegar, para agir em seu nome, a um ocupante de mandato de cargo majoritário ou proporcional, todas as suas expectativas de vida e esperanças em sua vida comunitária.
Vitalino Consultor
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