O preço político da escolha e o impacto na vida do cidadão brasileiro

Passado um pouco mais de uma semana, tudo feito de caso pensado para não ser contaminado pela emoção do pleito eleitoral ocorrido no dia 25/10/2026, volta-se as vistas para o que será um quarto mandado de um Presidente reeleito, que usou a "pista toda", com promessas de toda ordem e sedutoras conversas ao eleitorado brasileiro, tendo logrado êxito, mas, e agora Luiz?
Por Sebastião Vitalino da Silva
Em 03/11/2026
O alto preço que você pagará por sua escolha política
Jamais se torceria para o fracasso do País, não obstante, mesmo ao se respeitar o resultado das urnas, acredita-se que parcela significativa dos eleitores do "Luiz" ainda não avaliaram e, principalmente, se deram conta do preço que pagarão por suas respectivas escolhas políticas.
Nesse contexto, destaca-se, negativamente, como um fato muito relevante, a contribuição que o Mandatário Federal reeleito deu às contas públicas ao formular um "pacote" de bondades para se eleger, que ficou, segundo especialistas, orçado em mais 300 bilhões.
Por outro, cabe realçar que, segundo o Banco Central do Brasil, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 82,9% do PIB (equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões), mantendo-se no mesmo patamar do mês anterior, mas acumulando uma alta de 4,3 pontos percentuais desde o início do ano de 2026.
Esse é o maior nível registrado desde 2021, na época da Pandemia de Covid-19, em que tudo parou e fechou. Você ainda lembra disso?
Com todos esses ingredientes, algum desavisado poderia perguntar e o que eu tenho com isso? A resposta é direta e no sentido de que, ao fazer tal escolha política, você pagará essa conta de 300 Bi, por via de mais impostos, que certamente virão, além de comprometer mais ainda aqueles 81,7 milhões de brasileiros (Fonte: Serasa) que estão em situação de inadimplência (com o CPF negativado), talvez o maior patamar da série histórica, lembrando que isso representa cerca de metade da população adulta do País.
Caracteriza-se que nesses números ainda não constam os reflexos de custos com a implantação da primeira etapa da nova escala 5x2 (que substitui a antiga 6x1) e que entra em vigor no dia 16 de dezembro de 2026.
Além disso, a partir de 1º de janeiro de 2027, começa a valer de forma integral, a Contribuição sobre Bens e Serviços -- CBS, da Nova Reforma Tributária, ao substituir o PIS, a Cofins e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), cuja prévia aprovada pelo TCU ficou na ordem de 11,3%. Observa-se que o Senado Federal tem até 15 de dezembro de 2026 para votar e fixar a alíquota de referência definitiva da CBS por meio de resolução.
Ao se retornar a questão inicial (quem pagará a conta da gastança e as promessas do "Luiz"), caracteriza-se, a título de exemplo, que o setor de comércio representa aproximadamente 35% a 35,5% do total de empregos formais e uma parcela expressiva do parque comercial de estabelecimentos do Distrito Federal (equivalente a Brasília).
Portanto, diante desses fatos, nem precisa ser economista para saber que você pagará a conta, sem contar com eventuais demissões de alguns daqueles que ocupam trabalhos formais em razão adoção da nova escala 5x2. Quem viver, verá!
A dúvida ainda persiste, o povo realmente pagará toda essa gastança?
Sim. À luz do cenário econômico que se avizinha ao país, já não é mais questão de saber se há pessimismo e/ou má vontade com o mandatário reeleito, mas, sim apresentar a realidade dos fatos que são incontestáveis em face dos indicadores que apontam a alta de inflação com provável recessão que, a juízo próprio, pode ser o pior dos mundos para a já combalida economia nacional.
Não se é adepto daqueles "engenheiros de obra pronta" que costumam dizer -- eu não falei, no entanto, a situação econômica do país merece toda a atenção especial na atual cena, sendo evidentes as perdas de valor das empresas brasileiras cotadas na Bolsa de Valores (B3) já durante a primeira semana depois das eleições de outubro/2026.
Por sua vez, o nível de endividamento das famílias brasileiras, mesmo com as alegações governamentais, baseados em índices divulgados pelo IBGE, dando conta de que se viveria em pleno emprego, as famílias, que têm seus membros ocupando vagas em empregos formais, já comprometem mais de 30% da renda familiar com o pagamento de dívidas, notadamente, a do cartão de crédito que atingiu, em média, a cifra impensável de 451,7% ao ano, no crédito rotativo, em setembro de 2026.
Quando se volta as vistas para as empresas, constata-se que, somente no primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou um recorde histórico de 6.341 empresas (CNPJs) ativas em processos de recuperação judicial. Registra-se ainda que, se for considerado um universo mais amplo sem filtros de microempresas ou filiais, o número total chega a cerca de 20.000 CNPJs, aspecto esse que demonstra, por si só, que a economia do país, mesmo sem a tragédia da Pandemia de Covid-19, está em frangalhos.
Por último, a situação do endividamento no agronegócio brasileiro é marcada por um paradoxo no qual, ao mesmo tempo em que o setor bate recordes de produtividade e volume de safras, enfrenta uma severa pressão financeira, espremido por juros elevados, custos de produção persistentes, quedas nas cotações internacionais das commodities, a retração do crédito privado e um volume de endividamento geral e de obrigações acumuladas do setor que ultrapassam a casa dos R$ 250 bilhões em registros mais diretos de crédito problemático/ajustado, com estimativas amplas do endividamento total (somando bancos, títulos, fornecedores e mercado informal) alcançando patamares históricos superiores a R$ 1,2 trilhão em levantamentos da cadeia ampliada[^1].
Mesmo assim, para os agentes do Governo Federal, está tudo às mil maravilhas, não obstante já está no "Desenrola 3" e as pessoas continuam endividadas e sem perspectivas de solução.
Em face do que precede, caracteriza-se que o maior exemplo de endividamento é o próprio Governo Federal que compete em desigualdade de condições com os cidadãos e a sociedade em geral na busca por captação de dinheiro no mercado financeiro, que aumenta seus spreads bancários em razão do calote que, em breve, poderá ser até mesmo dos governos.
Maus presságios quanto ao futuro do País?
Por isso, pode-se pensar que após quatro anos sem descer do palanque e a lamentar suposta herança maldita herdada de seu antecessor, resta ao reeleito Presidente do Brasil manter encantados aqueles eleitores portadores de "cegueira moral e dissonância cognitiva[^2]" que o elegeram para um quarto mandato e que estariam esses dispostos a experimentar em "terras brasilis" a verdadeira "Odisseia", não mais em ter que neutralizar o Ciclope, filho de Poseidon da mitologia grega, porém sim, agora, a combater o capitalismo (capitalistas) "inimigo mortal de muitos progressistas" que, provavelmente, jamais tenham lido "O Capital de Karl Marx".
Em uma antevisão muito própria de tal odisseia, ao que parece, mais do que forças por eles dispendidas para "tomar a eleição do adversário, haveria a necessidade de domar o descontrole financeiro prevalente no Estado brasileiro, além do endividamento de mais de 80% da população; cumprir as promessas feitas ao contar com a expectativa de arrecadação da própria população por eles cooptadas; além de outros grandes desafios a serem atacados pelo Governo Federal na atual conjuntura.
Por fim, como dito anteriormente, a torcida para que o Brasil obtenha sucesso é grande, embora o plantel escolhido, por um pouco mais de 51% de brasileiros nas últimas eleições majoritárias, não dê margem de que se conseguirá resolver todas essas questões que impactam diretamente a vida do brasileiro, tudo no curtíssimo prazo.
Acorda Brasil!
Vitalino Consultor
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[^1]: Exame. Disponível em: Acesso em: 28 out. 2026.
[^2]: Cegueira Moral e Dissonância Cognitiva. Conceitos aplicados a todos aqueles que contribuíram para a reeleição do Presidente "descondensado" por seres "supremos" e que eu já expliquei em minha obra: Críticas de um Brasil à beira do abismo. Editora Viseu, 1ª Edição, 2026. Disponível em: .




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