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Multipropriedade: quando o sonho das férias pode virar um pesadelo financeiro.

  • Foto do escritor: Vozes de Brasília
    Vozes de Brasília
  • 28 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Imagem gerada por inteligência artificial.
Imagem gerada por inteligência artificial.

Caldas Novas - Goiás. Fonte: Wikipedia
Caldas Novas - Goiás. Fonte: Wikipedia



Gramado RS. Fonte: Wikipedia
Gramado RS. Fonte: Wikipedia

O modelo de multipropriedade imobiliária, cada vez mais difundido em cidades turísticas brasileiras, tem atraído consumidores com a promessa de férias garantidas, valorização do investimento e até geração de renda por meio de locações. No entanto, por trás do discurso comercial sedutor, multiplicam-se relatos de problemas que transformam o sonho em prejuízo financeiro e longas disputas judiciais.


Cidades como Caldas Novas (GO), Gramado (RS), Pirenópolis (GO) e outros destinos turísticos consolidados estão entre os locais onde esse tipo de empreendimento ocorre com maior frequência, impulsionado pelo alto fluxo de visitantes e pelo apelo emocional de lazer e descanso.


Vendas emocionais e contratos complexos


Um dos principais riscos está na forma de comercialização. As vendas costumam ocorrer em estandes instalados em pontos turísticos, com abordagens insistentes e discursos altamente emocionais. Promessas de retornos financeiros elevados, facilidade de revenda e uso flexível do imóvel são comuns. Sob pressão, muitos consumidores assinam contratos extensos e técnicos sem a devida análise ou assessoria jurídica.


Custos contínuos e dificuldades de uso


Além do valor pago pela cota, o comprador assume taxas permanentes de manutenção, condomínio, impostos e serviços, mesmo quando não utiliza o imóvel. Esses custos, muitas vezes subestimados no momento da compra, podem comprometer o orçamento familiar a longo prazo.


Outro problema recorrente é a dificuldade de agendamento. Em períodos de alta temporada, a concorrência entre os multiproprietários reduz drasticamente a flexibilidade prometida, frustrando expectativas de uso em datas específicas.


Baixa liquidez e barreiras para revenda


A revenda de cotas de multipropriedade é considerada um dos maiores entraves do modelo. O mercado secundário é restrito e, em muitos contratos, a venda só é permitida após a quitação integral do financiamento, o que pode levar anos. Na prática, o consumidor fica preso a um contrato de longo prazo, com pouca ou nenhuma possibilidade de saída sem prejuízo.


Cláusulas abusivas e atrasos na entrega


Especialistas alertam ainda para a presença de cláusulas contratuais abusivas, como multas elevadas em caso de distrato e restituição mínima dos valores pagos. Em empreendimentos na planta, não são raros os atrasos na entrega, fazendo com que o comprador comece a pagar taxas e parcelas sem poder usufruir do imóvel.


Impactos nas cidades turísticas


A proliferação de grandes projetos de multipropriedade também traz efeitos colaterais aos destinos turísticos. A especulação imobiliária tende a inflacionar preços, dificultando o acesso à moradia para moradores locais. Além disso, a sazonalidade intensa pode sobrecarregar a infraestrutura urbana em períodos de pico e gerar ociosidade em outros momentos.


Há ainda problemas de gestão condominial, especialmente quando ocorre inadimplência de alguns multiproprietários, afetando o funcionamento do empreendimento como um todo.


Caso concreto expõe fragilidades do sistema


Um caso emblemático que tramita na Justiça envolve uma aposentada que adquiriu uma cota de multipropriedade e aderiu ao chamado “pool de locação”, modelo em que o imóvel é alugado e a renda dividida entre os proprietários. Segundo o relato, ela não recebeu os aluguéis prometidos, mas acabou sendo acionada judicialmente pelo próprio empreendimento, sob a alegação de atraso no pagamento de taxas condominiais. O processo ainda está em andamento.


Situações como essa revelam outra barreira significativa: quando o consumidor decide buscar seus direitos, é obrigado a ingressar com a ação no estado onde está localizado o resort, arcando com advogados, deslocamentos e custas processuais elevadas. Soma-se a isso a morosidade do Judiciário, o que desestimula muitos compradores a contestarem abusos.


Orientação e cautela são fundamentais


Especialistas recomendam cautela redobrada antes de qualquer assinatura. É essencial pesquisar a reputação da incorporadora, analisar minuciosamente todas as cláusulas contratuais — especialmente as de rescisão, custos e foro — e não ceder à pressão de vendedores.


A orientação jurídica independente é altamente recomendada. O Código de Defesa do Consumidor garante ainda o direito de arrependimento em até sete dias para contratos firmados fora do estabelecimento comercial, o que pode ser uma saída para quem se arrepende logo após a compra.


Em um mercado em expansão, a multipropriedade exige informação, prudência e consciência de que, sem os devidos cuidados, o que deveria ser lazer pode se transformar em um longo e oneroso problema financeiro.


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