Lula recebeu dono do Banco Master no Planalto sem registro na agenda oficial, revela Poder360
- Vozes de Brasília

- 27 de jan.
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Brasília, 27 jan (Poder360) — Uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, realizada em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, passou despercebida nos compromissos oficiais do chefe do Executivo, conforme revelou reportagem do Poder360 e informações de outras fontes jornalísticas. O encontro, que durou cerca de uma hora e meia, não constou na agenda oficial presidencial, gerando críticas de opositores e questionamentos sobre transparência na gestão pública.
Segundo apuração, o encontro ocorreu depois de uma audiência formal registrada na agenda do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola). Após essa audiência, Marcola e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, inicialmente listado como representante de interesse próprio, solicitaram que Lula recebesse Vorcaro no gabinete presidencial.
Participantes e o conteúdo da reunião
Estiveram presentes no encontro:
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República;
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master;
Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda;
Rui Costa, ministro da Casa Civil;
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central;
Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master.
Durante a conversa, Vorcaro teria abordado temas relacionados à estrutura do sistema bancário brasileiro e à atuação dos grandes bancos no mercado financeiro. Lula, por sua vez, ressaltou que tais questões se tratavam de assuntos técnicos de competência do Banco Central, afirmando que deveriam ser tratados “de forma técnica e isenta” pela autoridade monetária.
Contraste com declarações públicas
O episódio ganhou contornos de polêmica após declarações públicas do presidente Lula em 23 de janeiro de 2026, em evento do programa Minha Casa, Minha Vida em Maceió (AL). Na ocasião, Lula criticou quem defendesse o banqueiro, afirmando que “falta vergonha na cara” de quem o protege, em referência ao caso do Banco Master e à crise envolvendo a instituição financeira.
A declaração pública ocorre meses depois da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, que apontou irregularidades que teriam gerado prejuízos significativos ao sistema financeiro. A liquidação foi concluída em novembro de 2025, em meio a investigações e ações regulatórias que colocaram a instituição sob forte escrutínio público e institucional.
Falta de registro e críticas
A ausência do encontro na agenda oficial foi alvo de críticas de especialistas e parlamentares que questionam a transparência nas relações entre o governo federal e agentes do mercado financeiro, especialmente em meio a uma crise que impactou depositantes e instituições brasileiras. Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) não havia explicado oficialmente o motivo da omissão do encontro.
Contexto mais amplo
O episódio se insere em um debate mais amplo sobre a relação entre o governo, o sistema financeiro e a regulação econômica no Brasil, especialmente diante de casos que envolvem grandes instituições privadas e a intervenção do Banco Central. A repercussão política tende a se intensificar à medida que parlamentares e setores da imprensa aprofundam questionamentos sobre a reunião e eventuais implicações para a gestão pública.




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