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Investigação no BRB aponta operação triangulada e coloca ex-presidente sob suspeita

  • Foto do escritor: Vozes de Brasília
    Vozes de Brasília
  • 19 de fev.
  • 3 min de leitura
Paulo Henrique Costa/ BRB Divulgação
Paulo Henrique Costa/ BRB Divulgação

Brasília, 19 de fevereiro de 2026


— A auditoria interna do Banco de Brasília e os investigadores da Polícia Federal (PF) ampliaram as apurações sobre uma série de operações financeiras que teriam beneficiado fundos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, fornecedor de ativos e ex-interlocutor de negociações com o BRB.


A análise preliminar aponta para a existência de uma “operação triangulada” que teria sido coordenada durante a gestão do então presidente do BRB e que teria servido para fortalecer o capital social do banco estatal com recursos associados a fundos que, posteriormente, entraram em rota de investigação criminal pelo Ministério Público e pela PF.




Como teria funcionado o esquema

Segundo relatos de pessoas com acesso à auditoria interna, enquanto o BRB promovia dois aumentos de capital em 2024 — levantando cerca de R$ 1 bilhão


— fundos de investimento supostamente conectados ao grupo de Vorcaro passaram a integrar a base acionária do banco de Brasília.


Esses investimentos foram feitos em ofertas privadas de ações, um mecanismo restrito a investidores já qualificados, o que teria levantado suspeitas sobre o conhecimento e a intenção da antiga diretoria do BRB no processo.




A crítica central dos investigadores é que a operação teria sido estruturada de modo a mascarar a real origem dos recursos e permitir que agentes relacionados ao Banco Master tivessem influência indireta no capital do BRB, potencializando negócios subsequentes entre as instituições.




O ex-presidente na mira da investigação



O então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, passou a figurar no centro das apurações sobre a triangulação de recursos.


A PF investiga se ele tinha plena consciência da identidade dos beneficiários finais desses fundos no momento em que as operações foram aprovadas e, principalmente, se houve favorecimento indevido a agentes que já eram alvo da Operação Compliance Zero — a grande investigação que mira o Banco Master e seus desdobramentos decorrentes da venda de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas.




Fontes próximas indicam que o ex-executivo nega irregularidade e afirma que apenas seguiu as normas vigentes à época da captação de recursos.


A defesa argumenta que ele não tinha pleno conhecimento de quem eram os acionistas finais dos fundos quando a operação foi submetida à homologação do Banco Central, que ocorreu apenas em abril de 2025.



Contradições e novos depoimentos


Costa e Vorcaro já haviam sido submetidos a acareações determinadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2025, como parte da instrução do inquérito que apura fraudes na compra de carteiras de crédito pelo BRB.


Nessas oitivas, os dois apresentaram versões diferentes sobre a origem e a natureza dos créditos envolvidos nas operações.



A defesa de Costa já solicitou à Polícia Federal que ele preste um novo depoimento para esclarecer possíveis contradições, mas ainda não há data marcada para essa oitiva.




Desdobramentos e impactos

O caso já provocou inquietação no mercado financeiro e no ambiente político do Distrito Federal. Desde o início das apurações, o BRB enfrenta uma série de desafios, incluindo renúncias no seu conselho fiscal e questionamentos sobre a governança da instituição.




Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, se comprovada a triangulação de recursos com conhecimento da antiga gestão, poderão surgir implicações legais e administrativas graves, incluindo acusações de gestão temerária e fraude.


Autoridades reguladoras e policiais mantêm a investigação em andamento, e a auditoria interna contratada pelo BRB deve entregar um relatório final até meados de abril.

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