De área esquecida a polo estratégico: Entorno do DF concentra quase 10% do PIB de Goiás
- George Medeiros
- 21 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Brasília, 21 de dezembro de 2025 – Uma transformação econômica e social está em curso no Entorno do Distrito Federal.
Dados do Diagnóstico Socioeconômico da Região Metropolitana do Entorno (RME), elaborado pelo Instituto Mauro Borges (IMB), mostram que a região — oficialmente instituída em 2023 — já responde por 9,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de Goiás, consolidando-se como um dos principais vetores de crescimento da economia goiana.
A RME é composta por 11 municípios goianos — entre eles Luziânia, Cristalina, Valparaíso de Goiás, Águas Lindas de Goiás e Formosa — e abriga mais de 1,24 milhão de habitantes, ou aproximadamente 17,6% da população estadual. A proximidade com Brasília, o crescimento populacional acelerado e a diversificação econômica explicam em grande parte esse desempenho, segundo especialistas.
Desafios e potencial econômico
O diagnóstico do IMB revela que, apesar dos números expressivos, a economia local ainda mantém forte dependência do setor público — principal atividade em seis dos 11 municípios da RME. Um dos destaques positivos é Cristalina, cujo PIB per capita de R$ 74,9 mil quase dobra a média estadual, impulsionado pelo agronegócio. Em contrapartida, Novo Gama apresenta o menor PIB per capita da região, com R$ 9,6 mil.
No ranking por município, Luziânia lidera a participação no PIB de Goiás com 2%, seguida por Cristalina (1,7%), Formosa (1,2%) e Valparaíso de Goiás (1,1%).
Mercado de trabalho e emprego
O mercado de trabalho da região também registra avanços. Dados da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE) apontam que, no quarto trimestre de 2024, o número de pessoas empregadas na região alcançou 662 mil — o maior desde o início da série histórica.
No entanto, desafios persistem: a taxa de desocupação chegou a 9,08%, quase o dobro da média estadual, e a informalidade atinge 41,24% dos trabalhadores.
Apesar disso, o crescimento no número de empregos formais tem sido expressivo, sustentado pelos setores de serviços, comércio, construção civil e agropecuária.
Municípios como Águas Lindas de Goiás e Luziânia apresentaram criação contínua de vagas entre 2024 e 2025, enquanto Cristalina se destacou com um saldo de mais de 3.700 empregos formais em 2025.
Governança, infraestrutura e investimentos
A criação formal da RME, por meio da Lei Complementar nº 181/2023, já é vista como um catalisador para o desenvolvimento sustentável do Entorno.
Para especialistas do IMB, a região tem atributos favoráveis — escala populacional, localização estratégica e base produtiva em expansão —, mas precisa fortalecer governança e planejamento para converter esses fatores em benefícios concretos à população.
Autoridades estaduais destacam que investimentos em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura têm reforçado a identidade e a competitividade da região.
Segundo o secretário do Entorno do DF, Pábio Mossoró, reformas de escolas, ampliação de leitos de UTI e reforço na segurança contribuíram para melhorar a qualidade de vida e atrair empresas.
Entre os projetos estruturantes em andamento está a construção de um aeroporto de cargas em Águas Lindas de Goiás, pensado para atuar como alternativa logística ao Aeroporto Internacional de Brasília, estimulando ainda mais o desenvolvimento econômico regional.
Mudança de paradigma
Figuras políticas e lideranças municipais também apontam uma nova fase para a região. Para o deputado estadual Wilde Cambão (PSD), o Entorno vive uma mudança de paradigma, com melhorias significativas em segurança e serviços públicos que fortalecem a economia local.
O prefeito de Novo Gama, Carlinhos Mangão, enfatiza a importância da parceria entre governo estadual e cidades da RME, que transformou áreas antes vistas como “dormitório” em polos dinâmicos de atividade econômica e infraestrutura, atraindo investimentos e melhorando indicadores sociais.




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