CPI identifica contrato milionário envolvendo escritório ligado a Ibaneis e fundo sob investigação
- Vozes de Brasília

- 18 de mar.
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A investigação conduzida por parlamentares no âmbito da chamada “CPI do Master” ganhou um novo capítulo após a identificação de um contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia ligado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e um fundo vinculado à gestora Reag, que está no centro de apurações da Polícia Federal.
De acordo com as informações apuradas, o contrato foi firmado em maio de 2024 e envolve a cessão de direitos creditórios de honorários advocatícios avaliados em cerca de R$ 38 milhões. Esses valores têm origem em uma ação judicial movida por servidores do Poder Legislativo Federal.
Na prática, o escritório transferiu ao fundo ligado à Reag o direito de receber esses honorários futuros — uma operação comum no mercado jurídico, conhecida como antecipação de recebíveis —, mas que passou a ser questionada diante do contexto das investigações em curso.
O valor efetivamente pago pela cessão teria sido significativamente inferior ao total nominal dos créditos, girando em torno de R$ 10 milhões, o que representa uma fração do montante total.
Conexão com investigações do Banco Master
O caso ganha maior relevância por envolver a Reag, apontada como peça central nas investigações relacionadas ao Banco Master.
A empresa é suspeita de participação em operações financeiras consideradas atípicas, incluindo possíveis práticas de fraude e lavagem de dinheiro.
Além disso, a negociação ocorreu em um período sensível, quando o Banco de Brasília já mantinha relações comerciais com o Banco Master, posteriormente alvo de intervenção do Banco Central.
Repercussão política e investigação
A revelação do contrato aumentou a pressão política sobre o governo do Distrito Federal. Parlamentares passaram a defender o aprofundamento das investigações, com foco em possíveis conexões entre agentes públicos, instituições financeiras e fundos de investimento.
A CPI busca agora esclarecer se houve irregularidades na operação ou eventual utilização do contrato em esquemas mais amplos de movimentação financeira atípica.
Defesa
Em nota, a defesa do governador sustenta que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, antes de assumir o cargo no Executivo local, e que não participou de negociações relacionadas ao contrato.
Os advogados também afirmam que a operação segue práticas comuns do mercado, sendo uma forma legal de antecipação de valores oriundos de ações judiciais.
Cenário
O caso se insere em um contexto mais amplo de crise envolvendo o sistema financeiro e relações institucionais no Distrito Federal, especialmente após os desdobramentos envolvendo o Banco Master.
A expectativa é de novos avanços nas investigações à medida que a CPI analisa documentos e aprofunda a apuração sobre as operações financeiras investigadas.




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