Brasília recebe mostra gratuita de Sergio Camargo no Teatro Nacional: um mergulho na luz, na forma e na poesia da escultura
- George Medeiros
- 1 de fev.
- 3 min de leitura



Brasília, DF — Uma das mais importantes exposições de arte dos últimos anos está em cartaz na capital federal. Até 13 de março de 2026, o Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, recebe a mostra “É Pau, É Pedra…”, dedicada ao escultor brasileiro Sergio Camargo — aberta ao público de forma gratuita e com curadoria de Marcello Dantas.
O projeto ocupa um dos espaços culturais mais emblemáticos de Brasília, transformando uma área tradicionalmente de passagem em um lugar de contemplação e reflexão sobre a obra de um dos nomes centrais da escultura moderna no Brasil.
A exposição e sua proposta
Composta por cerca de 200 obras, entre esculturas, relevos e estudos em materiais variados, a mostra não segue uma linha histórica convencional. Em vez disso, foi organizada de forma sensível para revelar o pensamento plástico de Camargo — um artista que investigou, ao longo de toda sua carreira, questões de volume, ritmo, vazio, luz e sombra.
A experiência do visitante muda conforme o deslocamento pelo espaço e a incidência de luz sobre as superfícies. Essa interação com a luz é um elemento essencial da escultura de Camargo: suas formas geométricas — como cilindros, cubos e retângulos — ganham vida e significado justamente na alternância entre claridade e sombra.
Quem foi Sergio Camargo
Nascido em 1930 e falecido em 1990, Sergio Camargo é reconhecido como um dos escultores mais originais e influentes do século XX no Brasil. Sua obra ultrapassou fronteiras, sendo premiada em importantes eventos internacionais como a Bienal de Paris em 1963, e integrada ao acervo de instituições no Brasil e no exterior — incluindo museus e coleções privadas.
Camargo foi um artista cuja trajetória atravessou fases distintas: dos primeiros trabalhos figurativos em bronze, passou à abstração geométrica rigorosa que o projetou internacionalmente. Sua produção é marcada não apenas pela precisão formal, mas por uma sensibilidade que coloca a luz como elemento constitutivo da obra, mais do que uma simples iluminação externa.
Curadoria e contexto cultural
Assinada pelo curador Marcello Dantas, a exposição constrói um diálogo produtivo entre as esculturas de Camargo e a própria arquitetura do Teatro Nacional — um dos ícones da capital projetado por Oscar Niemeyer. A montagem propõe que o visitante entenda a obra do artista não apenas como objetos estáticos, mas como experiências que se transformam com o olhar e com o tempo.
Para Dantas, a mostra resgata a potência de um criador que marcou a arte brasileira, ao mesmo tempo em que reflete o compromisso de plataformas culturais e jornalísticas com a promoção e difusão da cultura no país.
Um convite à experiência sensorial
Mais do que uma retrospectiva, “É Pau, É Pedra…” é uma convocação ao olhar atento: não basta apenas passar pelas obras, é preciso permanecer, observar as mudanças de luz, caminhar entre os volumes e perceber como cada peça dialoga com o ambiente e com o espectador.
Camargo desenvolveu ao longo de décadas uma linguagem que vai do racional ao orgânico, tornando cada obra um convite à contemplação silenciosa e profunda. Essa relação entre forma e observador é o cerne da exposição que agora chega a Brasília, proporcionando ao público brasiliense uma rara oportunidade de contato direto com a produção de um dos maiores artistas do Brasil.
Serviço — Exposição “É Pau, É Pedra…”
Local: Foyer da Sala Villa-Lobos — Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília, DF)
Período de visitação: até 13 de março de 2026
Horário: de quarta a segunda, das 12h às 20h
Entrada: gratuita
Classificação: livre para todos os públicos




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