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André Kubitschek: a gestão como herança e a força do sobrenome na corrida pela CLDF

Vozes de Brasília
30 de set.
3 min de leitura


Em um cenário político cada vez mais disputado por renovação e nomes de peso, o calendário eleitoral do Distrito Federal traz à tona a candidatura de André Octávio Kubitschek, de 33 anos, à Câmara Legislativa do DF (CLDF). Candidato pelo PL, André carrega um sobrenome que por si só remete à história de Brasília: é bisneto do ex-presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção da capital federal.


No entanto, o que a sua trajetória recente evidencia é uma tentativa de construir uma identidade própria, alicerçada em três pilares: a formação política familiar, a vivência empresarial e a passagem pela gestão pública.


O herdeiro e o gestor: uma trajetória construída antes da política


Filho do empresário Paulo Octavio — que já foi deputado, senador e governador — e de Anna Christina Kubitschek, neta de JK, André cresceu em um ambiente onde a política não era apenas disputa eleitoral, mas convivência, conciliação e debate sobre políticas públicas. Advogado formado pelo UniCeub e com graduação em Business Administration nos Estados Unidos, construiu uma trajetória no setor privado antes de ingressar na vida pública, tendo sido diretor das Organizações PaulOOctavio e atuado como conselheiro do Memorial JK.


Foi à frente de um dos grupos empresariais de destaque do Centro-Oeste que André acumulou experiência na gestão de recursos, no enfrentamento da burocracia e na criação de empregos. Essa vivência trouxe uma leitura estratégica para o setor público, com foco em planejamento, eficiência e resultados, sem deixar de lado o papel social do Estado.


A Secretaria da Juventude: resultados como vitrine


A decisão de abdicar da gestão das próprias empresas para assumir uma pasta pública veio com a criação da Secretaria da Juventude do Distrito Federal, em outubro de 2025, quando foi empossado pelo governador Ibaneis Rocha como o primeiro titular do órgão. A pasta surgiu do desmembramento da Secretaria da Família e Juventude com a proposta de fortalecer políticas voltadas ao público jovem.


À frente da Secretaria, André Kubitschek implementou uma gestão orientada a resultados. A diretriz era clara: mais jovens estudando, trabalhando e sendo atendidos.


Dessa agenda resultaram programas como o Jovem Candango, voltado à aprendizagem profissional de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social; o Pró-Jovem Digital, focado em capacitação tecnológica; e o Futuro em Conta, idealizado por ele para suprir a lacuna de educação financeira na formação dos jovens.


A gestão de Kubitschek na pasta foi marcada por dinamismo, com a organização de diversos programas de qualificação profissional e orientação financeira — um capital político que deverá ser explorado como tema eleitoral.


A transição para a disputa eleitoral


Com a aproximação do pleito, André deixou a Secretaria para se dedicar à candidatura. A movimentação política ganhou força após o apoio do PSD, presidido em âmbito regional por seu pai, Paulo Octávio, à reeleição de Celina Leão ao Governo do DF.


O movimento, que ocorreu após a saída de José Roberto Arruda da corrida eleitoral, redesenhou parte das forças políticas e projetou o nome de André, que recebeu manifestações públicas de apoio da governadora e das candidatas ao Senado Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.


Nas pesquisas de intenção de voto, André Kubitschek tem aparecido como o único candidato sem mandato entre os dez mais bem colocados para a CLDF. O desempenho é notável para quem disputa uma eleição pela primeira vez, e a expectativa é de que o recall da passagem pela Secretaria da Juventude e o sobrenome histórico impulsionem sua campanha.


O que está em jogo


Para além do sobrenome, a candidatura de André Kubitschek propõe um debate sobre eficiência na gestão pública.


Ele defende a simplificação da legislação, a racionalização da burocracia e um sistema tributário mais ágil como caminhos para estimular investimentos e ampliar a capacidade econômica do Distrito Federal. Em um DF que enfrenta desafios estruturais em mobilidade, segurança, saúde e educação, a experiência de quem geriu empresas e uma secretaria recém-criada será o principal argumento de sua campanha — e, ao mesmo tempo, o principal alvo de escrutínio de seus adversários.


O desafio de André Kubitschek é claro: provar que a herança política familiar, somada à bagagem empresarial e à vivência administrativa, é capaz de produzir resultados concretos.


Se a política em Brasília costuma ser medida pelo que se entrega, o bisneto de JK aposta que seu legado mais valioso não será o sobrenome, mas a gestão.



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