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Vorcaro diz à Polícia Federal que tratou com Ibaneis Rocha sobre venda do Banco Master ao BRB; governador nega conversa

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    Vozes de Brasília
  • há 3 dias
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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução


Brasília, 23 de janeiro de 2026 — O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que **manteve conversas “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a tentativa de venda do banco ao Banco Regional de Brasília (BRB) e mencionou encontros pessoais, inclusive em sua residência. A declaração integra o inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de crimes financeiros relacionados à operação, que acabou vetada pelo Banco Central.


Segundo o relato — prestado no dia 30 de dezembro de 2025 à delegada da PF, Janaína Palazzo — Vorcaro confirmou que o tema da venda do Master ao BRB foi discutido em encontros institucionais com Ibaneis Rocha e afirmou que o governador já esteve em sua casa, assim como ele próprio já esteve na residência do chefe do Executivo do Distrito Federal.


Negativa do governador e contradições


Procurado pela reportagem do Estado de S. Paulo, Ibaneis Rocha negou que tenha tratado da operação com Vorcaro, afirmando que esteve apenas uma vez na casa do empresário a convite para um almoço e que não houve conversa sobre o negócio bancário. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, disse o governador.


Até o momento, Ibaneis Rocha não figura como investigado no inquérito, mas a menção direta do governador nas investigações representa a primeira citação de um político no caso, ampliando o foco da apuração, que envolve a conduta de instituições financeiras, autoridades públicas e potenciais crimes financeiros.


Contexto da investigação e desdobramentos


A tentativa de venda do Banco Master para o BRB foi anunciada em março de 2025 e vetada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano, em razão de riscos identificados na operação. A negociação, que chegou a ser vista como estratégica para consolidar o banco estatal do DF, gerou tensão entre órgãos reguladores e instâncias públicas.


O caso já motivou a deflagração da Operação Compliance Zero pela PF, que levou à prisão e posterior soltura de Vorcaro e de outros executivos do Master, à liquidação extrajudicial do banco e ao afastamento de dirigentes do BRB. Há indícios de que o banco privado tenha negociado carteiras de crédito sem lastro com o BRB, resultando em prejuízo financeiro significativo à instituição pública.


Repercussões políticas e institucionais


A divergência entre as versões de Vorcaro e de Ibaneis Rocha intensifica a discussão sobre interferência política em operações bancárias de grande porte e aumenta o escrutínio sobre a governança do BRB, um banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Parlamentares e analistas políticos já haviam criticado a operação, apontando possíveis impactos negativos ao patrimônio público e riscos sistêmicos à economia local.


O inquérito no STF segue em sigilo, enquanto a PF e o Ministério Público analisam os depoimentos, documentos e outros elementos de prova para avaliar se haverá denúncia formal ou responsabilizações adicionais.

 
 
 

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