top of page

Se tem deflação, por que morar de aluguel está mais caro em Brasília?

  • Foto do escritor: Vozes de Brasília
    Vozes de Brasília
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura
Divulgação Vozes de Brasília
Divulgação Vozes de Brasília





Por Vozes de Brasília


O cenário econômico brasileiro tem mostrado nuances complexas no fim de 2025 e início de 2026: enquanto alguns indicadores amplos de preço — como o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), tradicionalmente usado para reajustar contratos de aluguel — mostraram acumulações negativas ou fracas, sugerindo deflação técnica, os preços efetivos dos aluguéis no Distrito Federal seguem em forte alta, com impactos diretos no orçamento das famílias brasilienses.


De acordo com os dados oficiais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M acumulou queda de cerca de −1,05% em 2025, encerrando o ano com deflação técnica no índice que é usado em muitos contratos de locação. Nos últimos 12 meses até dezembro, o IGP-M também registrou variação negativa, em torno de −0,11% no acumulado anual.


O que é “deflação” e por que ela está no centro do debate?


Deflação é o termo usado para descrever uma queda generalizada nos preços de bens e serviços ao longo do tempo, o oposto da inflação. Em termos de índices econômicos, a deflação pode aparecer quando os preços acumulados em determinado período ficam abaixo de um ano anterior ou começam a recuar — como aconteceu recentemente com o IGP-M no Brasil.


Por isso, especialistas falam em “deflação técnica” quando observam recuos ou desacelerações nesses indicadores, especialmente em setores ligados à produção e custos ao produtor.


Mas por que o aluguel no DF continua a subir?


Apesar dessa tendência técnica de queda dos índices de reajuste, o valor praticado dos aluguéis no Distrito Federal não reflete uma deflação real no mercado de locação. Nos últimos 12 meses, o preço médio de locação no DF subiu cerca de 8,1%, acima do índice nacional e em patamares superiores ao que muitos brasileiros conseguem absorver em seus orçamentos.


Esse fenômeno acontece porque:


📌 O índice oficial de reajuste dos contratos (IGP-M ou IPCA) pode divergir do preço real de mercado, que depende de oferta, demanda e negociações diretas entre locadores e locatários.


📌 A demanda por moradia na capital federal segue elevada, com cidades satélites e regiões administrativas atraindo famílias que não conseguem comprar imóvel próprio.


📌 Dificuldades no mercado de financiamento e juros altos mantêm a compra do imóvel fora do alcance de muitos, pressionando ainda mais a demanda por aluguel.



O impacto no bolso das famílias


Esse descompasso entre índices técnicos de deflação e a prática de mercado tem efeitos concretos:


Famílias continuam a ver no aluguel a única alternativa habitacional, mas enfrentam reajustes que corroem o poder de compra.


Muitas pessoas acabam desistindo da compra do imóvel próprio por causa da valorização constante dos aluguéis e das dificuldades de financiamento imobiliário — um movimento observado por entidades do setor.



Conclusão: deflação dos índices × inflação no custo de vida


O caso do Distrito Federal mostra como a economia pode apresentar sinais contraditórios: enquanto um indicador — como o IGP-M — apontou deflação técnica em muitos meses de 2025, o custo de vida real, especialmente no mercado de locação, continua a pressionar famílias e quem busca moradia estável na capital. Isso evidencia a necessidade de olhar não apenas os números agregados, mas também os efeitos na vida das pessoas que enfrentam o mercado diariamente.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page