Que país queremos no futuro?
- Vozes de Brasília

- 4 de mai.
- 3 min de leitura

Cresci e cheguei à maturidade ouvindo o clichê de que o “Brasil é país do futuro”, não obstante se observar, na prática, um eterno recomeçar de coisas, tudo em um verdadeiro loop de insanidades, da ânsia por planejar um passado que gostaria de se ter vivido, além de constante preparação para uma guerra que não mais existirá aos moldes de conflitos pretéritos.
Quanto ao primeiro, a lembrança que emerge é a decorrente do que está escrito no artigo 2° da Constituição Federal de 1988, no qual estabelece que os “três poderes da República são independentes e harmônicos entre si”.
Mas, como explicar a um alienígena que o Poder Legislativo Federal “executa” 16,8% do orçamento discricionário da União?
Que “harmonia” é essa que leva o Poder Judiciário a interferir, corretamente, e suspender o pagamento de emendas parlamentares por essas não terem a “execução” transparente, como prevê a Constituição Federal do Brasil (CF) nos incisos XXXIII do artigo 5º, II do § 3º do artigo 37 e § 2º do artigo 216?
Que transparência é essa?
Como poderia se resolver a falta de transparência na execução de emendas parlamentares e o que pensaria um “alienígena da galáxia amiga” sobre a nossa seriedade?
Como é que pode o conceito de transparência está definido em nossa Carta Magna e haver alguns privilegiados que não cumprem às nossas próprias regras de convívio social?
Certamente, diante de um cenário tão complexo e de incertezas postas, provavelmente, aquele alienígena, vindo de outras paragens, procuraria outros rincões para se estabelecer, principalmente, por ele ficar chocado com a ideia de que a sociedade local aceita passivamente que se gaste dinheiro público sem que haja prestação de contas adequadas e transparência no uso desses recursos.
Além disso, ele (o alienígena) passaria a acreditar que aqui é “Passárgada” e ele, por não ser “um amigo do rei”, jamais poderia permanecer aqui sem tal benefício.
Volta constante ao passado
Por outro, vive-se por aqui um eterno “remake”, mesmo quando se conhecem os resultados pífios a serem alcançados de plano feito no passado.
Assim, são recriados sucessivos programas, cometendo-se os mesmos erros em suas respectivas execuções, tudo à espera de que se obtivesse resultados positivos na sua aplicação.
Ao que parece, continuamos passivamente a nos preparar, mesmo em tempos de Inteligência Artificial (IA), para travar uma guerra simétrica, na qual havia conhecimento de um inimigo declarado, tudo com se fora um Dom Quixote modernizado, mas que continuaria a combater “moinhos de ventos”.
Com todos esses ingredientes, que são extratos presentes de uma realidade que se vivenciou ao longo de uma existência, como acreditar ainda que o Brasil dará certo se continuamos a refazer as mesmas coisas erradas com a esperança de resultados diferentes?
Da indignação à ação
Dessa forma, cheguei à idade sênior e mostro-me indignado com os destinos deste país, que envelheceu, não conseguiu trazer prosperidade ao seu povo, que continua, em sua maioria, a esperar por um futuro cada vez mais distante, ao mesmo tempo que não se conseguiu extirpar aqueles “amigos do rei”, amigos dos amigos e acima das leis, que se locupletam do erário público e da divisão do butim, a exemplo do que se assiste com o escândalo “Master” e as danosas repercussões para o Banco de Brasília e nossa população, que pagará toda essa conta.
Inconformado que sou ao ver representantes do povo usurparem competências e prerrogativas, por vezes, em proveito próprio, ao gastarem o nosso dinheiro, via emenda parlamentar, por exemplo, na realização meros projetos para perpetuação no poder e sem que haja melhoria de vida da população, sinto-me compelido a passar da mera indignação à ação no sentido de que se dê um basta a tudo de errado que acontece nesse país.
Por fim, esta mensagem aos brasileiros vai no sentido de que ainda não desisti do Brasil, porém não temos mais muito tempo para mudar o hoje e quebrar o loop no qual estamos contidos, quando o assunto é tratar do futuro deste país, até pois, aqueles que nós elegemos para nos representar, se não fiscalizarmos, eles continuarão encastelados no poder a se locupletar com o fruto de nosso trabalho.
Vitalino Consultor
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