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Por que insistir em combater a corrupção no país?

  • Foto do escritor: George Medeiros
    George Medeiros
  • 6 de jul.
  • 5 min de leitura
Sebastião Vitalino/ Divulgação
Sebastião Vitalino/ Divulgação

Opinião: Por Sebastião Vitalino da Silva



06/07/2026



Necessidade de ação constante no combate à corrupção

Já não mais podemos conviver e tolerar os níveis de corrupção existentes no Brasil da atualidade. Por isso, torna-se premente que passemos da mera indignação à ação no combate a esse mal que nos assola e que nos leva ao descrédito institucional ao ponto de se constituir, esse sim, em um verdadeiro perigo e ameaça à Democracia.



São escândalos que se revelam e se sucedem em nossa sociedade, com o envolvimento, por vezes, de poderosos da República, cujo desfecho, em grande maioria, encerram-se em “pizza”, aspectos esses que reforçam um quase senso comum de que a esperança de um país melhor aos seus cidadãos já se perdeu.



Sem esperança, o cidadão sente-se impotente e desmotivado para esboçar a mínima reação, além de não vislumbrar mecanismos que o levaria a agir contra as práticas corruptas claramente identificadas em nosso Brasil.



Com todos esses ingredientes, ressalta-se que temos que resgatar, urgentemente, a esperança e que, somente com o povo unido, poderemos fazer um combate efetivo à corrupção, sendo a informação a melhor arma para tal.



A informação com principal arma de combate à corrupção

Há muito a corrupção prosperou no Brasil amparada pelo silêncio, pela burocracia e com a dificuldade de acesso às informações públicas de qualidade.


Nesse contexto, quanto menos a sociedade sabia, maiores eram as oportunidades para que os recursos públicos fossem desviados, os contratos fraudados e os interesses de alguns maus agentes públicos ou privados prevalecessem sobre o interesse coletivo.



Na atual cena, porém, esse cenário começou a mudar e a informação tornou-se a mais poderosa arma no combate à corrupção.



Portanto, não se trata apenas da quantidade de dados produzidos diariamente e disponibilizados à sociedade, mas da velocidade com que eles circulam, além da capacidade de cidadãos, jornalistas, pesquisadores e órgãos de controle transformarem os números, aparentemente inofensivos, em evidências de irregularidades.



Hoje, um contrato público, uma licitação, uma transferência bancária ou uma emenda parlamentar podem ser examinados por milhares de pessoas em poucos minutos.



A tecnologia alterou profundamente a relação entre o poder público e a sociedade e, se antes os documentos permaneciam esquecidos em arquivos físicos, atualmente, grande parte deles encontra-se disponível em portais de transparência, bancos de dados públicos e plataformas digitais.

Por isso, a informação deixou de ser privilégio das autoridades e passou a integrar o patrimônio democrático da população.



Necessidade de maior engajamento da sociedade brasileira no combate à corrupção

Nesse novo ambiente, o jornalismo investigativo ganhou ainda mais relevância ao exibir à população diversas reportagens fundamentadas em documentos oficiais, feito por intermédio de cruzamento de dados e de análise técnica que, por sua vez, passaram a revelar esquemas sofisticados de corrupção, que dificilmente seriam descobertos apenas por investigações convencionais.



A imprensa livre, dessa forma, exerce e colabora com a sociedade, ao cumprir a sua função com responsabilidade, bem como ao transformar a informação em instrumento de fiscalização permanente.



Entretanto, informação disponível não significa necessariamente que seja um conhecimento a ser bem compreendido pela sociedade pois, na atual cena, o excesso de dados também favorece a desinformação, a manipulação política e a construção de narrativas destinadas a confundir a opinião pública.



Em tempos de redes sociais, as notícias falsas podem comprometer as investigações sérias, a desacreditar as instituições e a enfraquecer o combate à corrupção.



Por isso, tão importante quanto garantir o acesso aos dados é promover educação para o consumo crítico da informação pois, uma sociedade que interpreta indicadores corretamente, pode melhor compreender os orçamentos públicos e a identificar possíveis conflitos de interesses, além de inibir a propaganda política e promessas eleitorais vazias, por exemplo, aspectos todos que contribuem para que o cidadão seja bem informado e deixe de ser um mero espectador ao assumir o papel de fiscal do patrimônio público.



A importância da transparência

A transparência também modifica o comportamento dos próprios agentes públicos. Quando governantes sabem que seus atos poderão ser acompanhados em tempo real pela imprensa, pelos tribunais de contas, pelo Ministério Público e pela população, aumenta o custo político e jurídico da prática de atos ilícitos.


Nesse contexto, a visibilidade funciona como mecanismo preventivo tão importante quanto a punição.



Ainda assim, persistem obstáculos significativos nos quais se incluem a cultura do sigilo, a resistência de setores da administração pública, o uso abusivo de classificações de documentos, a demora no fornecimento de informações e a baixa qualidade de muitos bancos de dados que continuam a limitar o controle social.



Em diversas situações, a transparência existe apenas formalmente, enquanto as informações essenciais permanecem inacessíveis ou incompletas para o cidadão.



Outro desafio reside na polarização política que, em muitos casos, as denúncias de corrupção deixam de ser avaliadas pelo mérito dos fatos para serem interpretadas segundo as preferências ideológicas de seus protagonistas.



A informação, dessa forma, perde força quando essa passa a ser selecionada apenas para confirmar as convicções previamente estabelecidas por agentes presos a vertentes ideológicas.


Na verdade, o combate à corrupção exige compromisso com a verdade factual, independentemente de partidos, governos ou interesses circunstanciais.


Nesse contexto, instituições de controle, universidades, organizações da sociedade civil e meios de comunicação possuem responsabilidade compartilhada pois, produzir a informação confiável, acessível e tecnicamente consistente é condição indispensável para fortalecer a confiança pública e ampliar a participação do cidadão nas decisões do Estado.



A liberdade de expressão e a circulação da informação

Mais do que operações policiais espetaculares, discursos inflamados ou promessas eleitorais, o verdadeiro antídoto contra a corrupção continua sendo a informação livre, transparente e verificável.



Onde há luz, diminuem os espaços para a clandestinidade e a proliferação de narrativas vazias desferidas essas por agentes mal-intencionados que se valem desses mecanismos e subterfúgios para a ocultação de desvios.



O Brasil somente reduzirá estruturalmente seus índices de corrupção quando transformar a transparência em valor permanente do Estado e a informação em instrumento cotidiano da cidadania.



Registra-se, nesse sentido, que governos podem esconder documentos, retardar investigações e tentar controlar narrativas, mas dificilmente conseguirão impedir uma sociedade bem informada de exercer a sua maior prerrogativa democrática, que é a de fiscalizar o poder e exigir a responsabilidade de seus governantes.



Em uma democracia madura, a informação não representa apenas um direito constitucional e, sim, isso se constitui no mais eficiente mecanismo de prevenção, de identificação e de repressão à corrupção.



Quando a informação circula com liberdade, qualidade e credibilidade, os cidadãos se transformam nos principais vigilantes permanentes da República, aspecto que reforça a premissa de o dinheiro público pertence à sociedade, e sua correta aplicação deve permanecer constantemente sob o olhar atento da própria população.


Por fim, reitera-se que combater a corrupção não é uma tarefa exclusiva do Estado, dos tribunais ou dos órgãos de controle. É um compromisso permanente da sociedade com as futuras gerações.


Vitalino Consultor


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