Polícia investiga três mortes na UTI de hospital do DF
- Vozes de Brasília

- há 7 dias
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Brasília, 19 de janeiro de 2026 – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu um inquérito para apurar três mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A investigação teve início após a própria instituição identificar indícios de irregularidades nos óbitos, que teriam acontecido entre os meses de novembro e dezembro de 2025.
A ação policial faz parte da chamada Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP) da corporação, e resultou na prisão temporária de três ex-técnicos de enfermagem, que agora são suspeitos de envolvimento direto nos episódios.
Indícios e prisões
Conforme apurado, o hospital instaurou um comitê interno após notar circunstâncias atípicas em três óbitos na UTI, o que motivou uma investigação interna concluída em menos de 20 dias. As evidências reunidas foram encaminhadas à PCDF, que representou pela prisão dos suspeitos e pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).
Os detidos têm 22, 24 e 28 anos, e apesar de não terem seus nomes divulgados por determinação judicial, foram apontados como diretamente ligados aos casos sob suspeita. O processo corre sob segredo de Justiça, impedindo a divulgação de detalhes sobre a investigação e a identificação das vítimas e acusados.
Como os crimes teriam ocorrido
Segundo as informações da Polícia Civil, em pelo menos um dos episódios o principal investigado teria se aproveitado de um login médico deixado aberto no sistema hospitalar para prescrever medicamentos de maneira irregular. Após a retirada desses insumos na farmácia da unidade, as substâncias teriam sido aplicadas diretamente na veia dos pacientes, sem autorização da equipe médica.
Em outro caso amplamente citado pela investigação, um dos suspeitos teria administrado um produto químico de limpeza — descrito como desinfetante — por meio de seringa em um paciente, repetindo a ação diversas vezes. Essa substância pode provocar parada cardiorrespiratória quando injetada na corrente sanguínea.
Perfil das vítimas
As três vítimas eram pacientes internados na UTI e apresentavam condições clínicas que, inicialmente, não indicavam evolução abrupta para desfecho fatal. Entre elas estavam um homem de 33 anos, uma mulher de 75 anos e um servidor público de 63 anos, com perfis de saúde distintos, o que chamou atenção dos médicos.
Reação da instituição
O Hospital Anchieta emitiu nota reforçando que foi a própria instituição que acionou a polícia ao detectar as anormalidades e que está colaborando integralmente com as investigações, mantendo contato permanente com os familiares das vítimas e oferecendo apoio às famílias afetadas. A direção também ressalta que o sigilo judicial é essencial para preservar a investigação e evitar interferências externas na elucidação dos fatos.
Em sua comunicação oficial, a unidade — uma das mais tradicionais da capital federal — declarou ainda que se considera também vítima das ações atribuídas aos ex-funcionários e que continuará a fortalecer seus protocolos de segurança assistencial.
Desdobramentos
O caso segue em investigação, com a PCDF colhendo depoimentos, analisando provas técnicas e verificando a real extensão dos supostos crimes dentro do ambiente hospitalar. As autoridades não descartam a possibilidade de novas ligações ou responsabilizações conforme o inquérito avance.




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