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PF inicia oitivas de investigados no caso Master-BRB; investigação mira irregularidades bilionárias entre Master e BRB

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    Vozes de Brasília
  • há 3 horas
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Brasília — A Polícia Federal (PF) deu início, nesta segunda-feira (26/1), à oitiva de oito investigados no âmbito do inquérito que apura supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) — caso que já ganhou repercussão nacional e pode ter impactos políticos e econômicos profundos.


A operação, conduzida pela PF sob o nome de “Compliance Zero”, começou a colher depoimentos de suspeitos entre esta segunda e terça-feira (27/1). Os interrogatórios estão sendo realizados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em formato híbrido (presencial e por videoconferência), conforme autorizado pelo ministro relator do caso, Dias Toffoli.


Quem será ouvido


A PF convocou executivos, ex-executivos e empresários ligados ao Banco Master e ao BRB. Entre os oito nomes que prestarão esclarecimentos estão:


Dário Oswaldo Garcia Júnior – diretor de Finanças e Controladoria do BRB


André Felipe de Oliveira Seixas Maia – empresário


Henrique Souza e Silva – empresário


Alberto Felix de Oliveira – superintendente de Tesouraria do Banco Master


Robério Cesar Bonfim Mangueira – superintendente do BRB


Luiz Antonio Bull – ex-diretor executivo do Banco Master


Angelo Antonio Ribeiro da Silva – executivo do Banco Master


Augusto Ferreira Lima – ex-executivo do Banco Master



Esses depoimentos buscam esclarecer as movimentações financeiras e a eficácia das auditorias internas que teriam sido usadas para justificar operações de grande volume entre as duas instituições.


O que está sendo investigado


A investigação central da PF se concentra em transações consideradas atípicas entre o Master e o BRB, envolvendo a venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões — ativos que, segundo apurações preliminares, podem não ter lastro real. Essas operações teriam sido utilizadas para inflar artificialmente o balanço do Banco Master e sustentar a narrativa de solidez financeira que facilitou seu relacionamento com o BRB.


Além da suposta venda de carteiras falsas, a PF e o Banco Central (BC) analisam uma complexa rede de fundos e ativos inflacionados que teriam ajudado a construir um patrimônio aparente que, na prática, não existia. Operações com gestores terceirizados, como a Reag DTVM, também são alvo do inquérito.


Contexto e desdobramentos


O caso ganhou destaque desde novembro de 2025, quando a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou a Operação Compliance Zero. Na ocasião, o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso sob suspeita de liderar o esquema de fraudes envolvendo emissão de títulos com lastro questionável. Pouco depois, Vorcaro foi solto, mas a investigação prossegue em ritmo acelerado.


O Banco Central, por sua vez, decidiu pela liquidação extrajudicial do Banco Master — uma medida extrema que interrompe formalmente as operações da instituição após detectar “irregularidades graves e deterioração da liquidez” no banco.


A tentativa de aquisição do Master pelo BRB, anunciada em março de 2025 como parte de uma estratégia de expansão do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, foi reprovada pelo Banco Central após intensos questionamentos técnicos e regulatórios.


Repercussões políticas e econômicas


O chamado Caso Master-BRB transcendeu o âmbito financeiro e tem gerado forte repercussão política em Brasília e no país. Parlamentares já levantaram questionamentos sobre a participação de dirigentes do BRB e sobre a supervisão de órgãos reguladores na liberação e acompanhamento dessas operações. Há também debates sobre a criação de comissões parlamentares de inquérito para aprofundar ainda mais as investigações.


Para o BRB, a situação representa um desafio de gestão e de credibilidade, já que o banco estatal — que atende a milhares de clientes no Distrito Federal e em outros estados — precisa explicar à sociedade seu papel nas operações sob investigação enquanto adota medidas internas de auditoria e conformidade.

 
 
 

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