O custo invisível da corrupção
- Vozes de Brasília

- há 1 dia
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Por Sebastião Vitalino da Silva
Em 27/07/2026
A população brasileira, em grande medida, não consegue identificar, em seu dia a dia, o quanto custa para o cidadão os crimes de corrupção praticados por agentes públicos neste país.
Assim é que, em mais um daqueles episódios que sobram narrativas e faltam explicações convincentes à população, o Banco Regional de Brasília – BRB, se viu envolvido em um dos mais graves escândalos financeiros do país.
Qual a verdadeira dimensão desse problema?
O Brasil, em especial o cidadão brasiliense, clama para que se tenha uma explicação convincente para o fato, exposto em diversas mídias, de como o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), preso em abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal - PF, se tornou suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Nesse sentido, a população brasiliense continua a não saber a verdadeira dimensão do problema haja vista que, o BRB já não divulga há alguns meses o “balanço”, que é previsto pela Comissão de Valores Mobiliários, que demonstrem minimamente qual o rombo ao erário.
Na prática e divulgado na mídia, o que se tem são especulações que envolvem a suspeita de negócios feitos, entre o BRB e o liquidado Banco Master, e que giram em torno da compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos e carteiras financeiras consideradas falsas ou sem garantia junto aquele.
Além disso, investigações da PF apontam que o ex-presidente do BRB teria aceitado promessas e pagamentos de propina milionária, incluindo imóveis de luxo em bairros nobres de Brasília e São Paulo, tudo em troca de favorecer os interesses do antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, dentro do BRB.
Como tudo isso teria acontecido e ninguém viu?
Como em mais um daqueles problemas nacionais, que as ditas autoridades afirmam de nada saber, sejam elas do mercado financeira e de controle do Estado, permanece a estarrecedora falta de explicação para a sociedade de como “empresas fachada” constituíram estrutura empresarial para ocultar e mascarar a verdadeira propriedade dos bens repassados como propina, além de esconder a movimentação do patrimônio milionário sem que ninguém tivesse visto isso. Inacreditável!
Com todos esses ingredientes, não mais podemos aceitar que isso ocorra neste país, ao se permitir que uma Sociedade de Economia Mista, controlada pelo Governo do Distrito Federal, seja saqueada sem que haja explicações adequadas dos poderes constituídos à sociedade a qual deveria servir.
A cultura da impunidade a prevalecer
A resposta para todo esse cenário de corrupção, que nos cerca na atual cena, pareceria óbvia, figurando, nesse sentido, corruptos e corruptores no epicentro dessa questão, no entanto, pode-se inferir que há nítida impressão de que tais figuras apostaram na impunidade, muito comum neste país para crimes do “colarinho branco”.
No imaginário de muitos brasileiros, a corrupção deixou de ser apenas um crime para se transformar em um método de ascensão política, econômica e administrativa, sendo provas disso a sucessão de escândalos que marcaram as últimas décadas, e que revelaram esquemas bilionários, organizações criminosas sofisticadas, desvios de recursos públicos e incontáveis prejuízos à sociedade, mas que terminaram em “pizza”.
Com isso, a sensação predominante é a de que muitos dos responsáveis conseguem escapar de punições proporcionais à gravidade de seus atos ao apostarem em argumentos como o da morosidade da Justiça e possibilidades de recursos infindáveis previstos no ordenamento jurídico nacional.
Também pesa a complexidade da investigação dos chamados crimes de colarinho branco, pois, diferentemente dos delitos comuns, os esquemas de corrupção, frequentemente, envolvem empresas de fachada, contratos sofisticados, operações financeiras internacionais, utilização de intermediários, os famosos “laranjas”, e ocultação patrimonial.
Essa engenharia criminosa exige investigações técnicas demoradas, aumentando a dificuldade para produzir provas robustas, algo que reforça nos criminosos a percepção de que não serão alcançados pela Justiça.
O componente político que não pode ser ignorado
Em uma democracia, instituições independentes e mecanismos de controle são essenciais para garantir a responsabilização de agentes públicos.
Portanto, esse controle deve ser realizado pelo cidadão que não pode permitir que haja conflitos institucionais, mudanças frequentes de entendimento jurídico ou disputas políticas que envolvam casos de corrupção.
Mesmo que cada decisão tenha fundamento jurídico próprio, a percepção pública pode ser de seletividade ou inconsistência, aspectos que podem gerar contradição na sociedade.
Por isso, é necessário que os nossos representantes dos poderes políticos sejam constantemente acionados e cobrados para que os crimes de corrupção sejam efetivamente punidos.
Baixa efetividade na recuperação de recursos desviados
Por sua vez, a baixa efetividade na recuperação dos recursos desviados contribui com a sensação de impunidade no país.
Em muitos casos, anos após a descoberta dos esquemas, apenas parcela dos valores retorna aos cofres públicos. Para organizações criminosas, isso significa que o eventual custo da punição pode ser inferior ao patrimônio ocultado ou dissipado durante o processo, algo que é decisivo para o bandido, que também sabe fazer contas, se veja estimulado à prática delituosa.
Sob a ótica econômica ainda, a corrupção também pode ser interpretada como uma análise de risco pois, se o ganho potencial é elevado e a probabilidade percebida de punição é considerada baixa, alguns indivíduos concluem, equivocadamente, que o crime compensa.
Trata-se de um cálculo perverso, incompatível com os valores republicanos, mas frequentemente apontado por estudiosos da criminalidade econômica como um fator de incentivo.
A imperiosa resposta à impunidade daqueles envolvidos no caso do BRB
A verdadeira resposta ao sentimento de impunidade não reside no enfraquecimento das garantias constitucionais e nem tampouco na flexibilização do devido processo legal, mas na ação determinada dos nossos representantes e de mobilização da sociedade para esse combate.
Portanto, o desafio consiste em conciliar a ampla defesa com maior eficiência processual para o combate à corrupção, o fortalecimento dos mecanismos de prevenção, a ampliação da transparência, a recuperação mais rapidamente dos recursos desviados, que no caso do BRB são quase que imediatas pois o banco está sem liquidez.
Vitalino Consultor
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