BRB tinha R$ 1,75 bilhão em ativos do Will Bank; liquidação pode aumentar necessidade de socorro
- Vozes de Brasília

- há 4 dias
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Brasília — A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central no dia 21 de janeiro de 2026, pode agravar a situação financeira do Banco de Brasília (BRB), estatal controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Documentos internos aos quais o Estadão teve acesso revelam que o BRB recebeu cerca de R$ 1,75 bilhão em ativos do Will Bank como parte de acordos relacionados às operações com o Banco Master — negócio recentemente alvo de investigação por fraudes em carteiras de crédito.
A decisão do BC de liquidar o Will Bank, instituição digital que integrava o conglomerado do Banco Master, introduz uma incerteza sobre a titularidade desses ativos que estavam contabilizados pelo BRB. Agora, cabe ao liquidante conferir se esses contratos pertencem de fato ao banco estatal ou se serão transferidos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcimento aos credores.
Se a verificação concluir que os ativos não pertencem de fato ao BRB, o banco terá de dar baixa ou provisionar esses valores em seus demonstrativos contábeis. Essa movimentação pode reduzir seu patrimônio de referência, pressionando o índice de Basileia — principal métrica que mede a saúde financeira de uma instituição, relacionando capital próprio e risco dos ativos.
Risco de necessidade de aporte do GDF
Com a possível redução do capital regulatório e o consequente impacto nos requisitos prudenciais, cresce a probabilidade de o BRB demonstrar necessidade de novos aportes de capital por parte de seu controlador, o Governo do Distrito Federal, para manter conformidade com as regras do Banco Central. Representantes próximos à instituição indicaram ao Estadão que esse reforço de capital pode ser necessário caso os ativos não sejam reconhecidos como pertencentes ao banco.
Na semana anterior, o próprio BRB já havia admitido a possibilidade de ser necessário recorrer ao controlador caso sejam confirmadas perdas adicionais associadas às operações com o Banco Master.
Contexto da crise com o Banco Master
A crise que envolve o BRB, o Banco Master e agora o Will Bank começou com a compra de carteiras de crédito consideradas irregulares pelo Master — operações que chegaram a R$ 12,2 bilhões e levaram o BRB a descumprir limites prudenciais determinados pelo Banco Central. Parte dessas carteiras foi posteriormente substituída por outros ativos, mas a consistência desses títulos ainda está sendo avaliada pelas autoridades.
Além disso, a liquidação do Will Bank pelo Banco Central faz parte de um movimento mais amplo de controle das instituições ligadas ao Master após o colapso e a intervenção do regulador.
Crédito garantido e FGC
Em caso de liquidação bancária, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é obrigado a honrar os depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, conforme previsto na legislação, passando a deter os ativos da instituição liquidada para venda futura e recuperação de recursos.
O desfecho sobre a titularidade dos R$ 1,75 bilhão em ativos será determinante para entender a dimensão exata do impacto no balanço do BRB e se haverá necessidade de socorro financeiro adicional do controlador, algo que agora está no centro do debate entre reguladores, o banco estatal e investidores.




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