BRB entra no radar do Banco Central após alerta de insuficiência patrimonial
- Vozes de Brasília

- há 7 dias
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Brasília — O Banco de Brasília (BRB) confirmou que recebeu uma comunicação formal do Banco Central (BC) apontando indícios de insuficiência patrimonial relacionados a transações realizadas com o extinto Banco Master, que está sob liquidação extrajudicial e alvo de uma ampla investigação policial e regulatória.
O ofício, cuja existência foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim nas redes sociais, levanta questionamentos técnicos sobre a saúde financeira do BRB após uma série de operações com o Master, que o regulador considera capazes de comprometer os índices de capital exigidos para instituições financeiras supervisionadas.
Contexto: a relação financeira com o Master
O caso tem origem em transações bilionárias feitas entre 2024 e 2025, quando o BRB adquiriu carteiras de crédito — muitas delas hoje sob suspeita de irregularidade — do Banco Master. Investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero indicam que algumas dessas carteiras podem ter sido créditos falsos ou sem lastro real, com operações que somam cerca de R$ 12,2 bilhões.
O Banco Central já havia rejeitado, em setembro de 2025, a tentativa do BRB de adquirir parte do controle do Master e, em novembro, decretou a liquidação extrajudicial do banco investigado por fraudes, prisão do controlador e afastamento de sua diretoria.
Insuficiência patrimonial e vigilância regulatória
O BC, em seu monitoramento prudencial, entendeu que certas transações com o Master podem ter afetado negativamente os índices de capital do BRB, que mede a capacidade da instituição de absorver riscos sem comprometer sua solvência e liquidez. A comunicação formalizada nesta carta exige esclarecimentos e possíveis medidas de recomposição patrimonial ou a apresentação de planos que cumpram as exigências regulatórias.
Especialistas financeiros afirmam que manter níveis adequados de capital é fundamental para assegurar a confiança de clientes, investidores e o bom funcionamento do sistema financeiro, especialmente num banco estatal como o BRB — que atua como agente financeiro do Governo do Distrito Federal e possui grande exposição em crédito consignado e imobiliário.
Reação do BRB e próximos passos
Em nota pública e em comunicados ao mercado, o BRB tem procurado mitigar os impactos da crise, afirmando que contratou auditoria forense e consultoria técnica para apurar todos os fatos relativos às transações com o Master, e que aguarda a decisão da Justiça sobre pedidos de acesso à investigação sob sigilo.
Além disso, os controladores do banco — principalmente o Governo do Distrito Federal, seu maior acionista — já sinalizaram que podem realizar aportes de capital caso sejam confirmados prejuízos estruturais decorrentes das operações com o Master.
Repercussões e risco sistêmico
O episódio elevou o debate sobre governança corporativa, controles internos e supervisão bancária no Brasil, especialmente no caso de instituições públicas que expandem rapidamente suas operações. Entidades do setor financeiro reforçaram recentemente a importância da atuação técnica e independente do Banco Central para preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional, diante de questionamentos e pressões institucionais.
O desdobramento dessa crise — que envolve auditorias, ações judiciais e possível necessidade de reforço de capital — deve seguir nas próximas semanas com a análise detalhada dos números patrimoniais do BRB e das respostas às exigências do BC.




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