BC determina que BRB faça provisionamento de R$ 2,6 bilhões por perdas ligadas à fraude do Banco Master
- Vozes de Brasília

- há 3 dias
- 3 min de leitura

Brasília, 23 de janeiro de 2026 —
O Banco Central do Brasil (BC) determinou que o BRB – Banco de Brasília registre, em seu balanço financeiro de 2025, um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas relacionadas a operações com carteiras de crédito suspeitas ligadas ao caso do Banco Master. A medida foi formalizada em um termo de comparecimento entregue pela autoridade monetária ao BRB em 7 de janeiro, segundo apuração publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.
O que motivou a exigência
O requerido provisionamento — que representa uma reserva contábil para cobrir possíveis prejuízos — está diretamente ligado às investigações que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Autoridades identificaram que o banco privado vendeu ao BRB carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões que eram fraudulentas ou sem lastro real, conforme apurado pelo Ministério Público Federal e pelo BC.
Segundo a reportagem, dos R$ 12,2 bilhões negociados, o BRB conseguiu recuperar cerca de R$ 10 bilhões por meio de devoluções de ativos e transferências do Master. O restante — aproximadamente R$ 2,6 bilhões — é o valor que o Banco Central quer que a instituição estatal reconheça formalmente como provisão de perda no balanço de 2025.
Contexto da crise no Master e impacto no BRB
O caso começou a ganhar repercussão no segundo semestre de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que desvendou um esquema de emissão de títulos de crédito falsos e práticas contábeis supostamente irregulares no Banco Master. As investigações culminaram com a prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central por risco à estabilidade financeira.
No meio da crise, tornou-se público que o BRB havia adquirido carteiras de crédito da instituição privada sem lastro comprovado, o que levou a perdas substanciais e colocou sob escrutínio a governança e as práticas de risco do banco público.
Além disso, decisões judiciais e ações regulatórias já haviam exposto a complexidade do caso:
Executivos do BRB foram afastados temporariamente por suspeita de participação em operações com o Master, dentro da mesma investigação da Polícia Federal.
O BRB anunciou que contrataria auditoria externa para apurar os fatos relacionados às operações com o Master.
Agências de classificação de risco consideraram que o envolvimento com ativos suspeitos afetou a percepção sobre a qualidade de governança e os controles internos do BRB.
Posição do BRB
O BRB informou às autoridades que segue operando normalmente e avalia a qualidade dos ativos repassados pelo Master para definir se será necessário aporte adicional de capital, com o objetivo de manter seus índices prudenciais — como o índice de Basileia — dentro das exigências regulatórias.
O banco também tem afirmado que as operações com o Master foram objeto de auditorias independentes e que os ativos foram substituídos ou liquidados na maior parte. Porém, autoridades regulatórias continuam a examinar a natureza desses ativos e a real exposição do BRB resultante das transações.
Repercussões para o mercado financeiro
A determinação do Banco Central representa um movimento firme do regulador para resguardar a solidez do sistema financeiro e reforçar a necessidade de contabilização prudente de perdas potenciais diante de operações cujos riscos ainda não foram integralmente mitigados.
Especialistas do setor avaliam que o provisionamento pode influenciar o resultado financeiro e os índices de capitalização do BRB, com atenção especial de investidores e analistas quanto à sustentabilidade dos planos de expansão e à política de risco da instituição.




Comentários