Auditores fiscais do DF rebatem Ibaneis e afirmam que arrecadação maior contradiz discurso de crise
- Vozes de Brasília

- há 11 horas
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Brasília, 10 de janeiro de 2026 — A Associação dos Auditores-Fiscais do Distrito Federal (Aafit) divulgou nesta sexta-feira (9) uma nota pública contestando as declarações do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre a situação das contas públicas no Distrito Federal. Segundo os auditores, a ideia de que a crise orçamentária ocorre por causa de uma “queda na arrecadação” não se sustenta diante dos números oficiais de receita tributária.
Em suas declarações recentes, Ibaneis tem defendido que o governo do Distrito Federal enfrenta um cenário econômico crítico com receitas aquém do esperado — especialmente devido a dificuldades como juros elevados e redução na atividade econômica — e que isso exigiria cortes de gastos e ajuste do orçamento em 2026.
Auditores dizem que arrecadação não é o problema
A Aafit rebateu a narrativa do governador afirmando que, ao contrário do que foi colocado, a arrecadação tributária não teve redução. Segundo dados apresentados pela associação, a receita com impostos do DF entre janeiro e novembro de 2025 atingiu R$ 24,14 bilhões, montante que representa um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024 — valor que ainda apresenta alta real de 1,6% mesmo após descontar a inflação.
“É fundamental esclarecer que a arrecadação tributária não é a causa da piora nas contas públicas do DF. A realidade aponta justamente no sentido contrário: a arrecadação tem se mantido pujante e em crescimento, sendo um fator positivo para os cofres distritais”, afirmou a entidade em nota.
A Aafit ainda reforçou que o bom desempenho da arrecadação deve caminhar junto da manutenção e fortalecimento de políticas públicas essenciais, e que esse aspecto é um ponto de apoio para a sustentabilidade fiscal da capital federal.
Governo responde parcialmente
Procurada pelo g1 para se posicionar sobre a contestação dos auditores, a Secretaria de Economia do DF afirmou, em nota, que algumas receitas resultaram abaixo do projetado para 2025, apesar das medidas de incentivo e estímulo econômico adotadas ao longo do ano. A pasta, no entanto, não detalhou quais receitas foram afetadas nem apresentou números alternativos aos divulgados pelos auditores.
Contexto econômico e impacto nas políticas públicas
O embate ocorre em meio a um momento de discussão pública sobre o estado das finanças distritais, que inclui atrasos em repasses e pressões sobre serviços essenciais como a saúde — exemplificados pelo recente atraso nos pagamentos ao Hospital da Criança de Brasília, que levou a ajustes na prestação de serviços na unidade.
O governador Ibaneis tem enfatizado que fatores como juros altos e queda em setores fundamentais da economia, como o imobiliário e de serviços, pressionaram o orçamento e que será necessário “apertar o cinto” nas despesas de 2026.
Tensão entre discurso político e dados técnicos
Especialistas apontam que a disputa por narrativas entre gestores públicos e auditores fiscais traz à tona um debate relevante sobre como interpretar e gerir dados fiscais em um cenário de ajustes e expectativas eleitorais. Enquanto o governo ressalta incertezas econômicas externas, os auditores destacam que os números de arrecadação mostram robustez e crescimento, ainda que insuficiente para cobrir todas as demandas orçamentárias.




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