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Anvisa monitora 65 mortes suspeitas após uso de ‘canetas emagrecedoras’ no Brasil

  • Foto do escritor: George Medeiros
    George Medeiros
  • 21 de fev.
  • 2 min de leitura
Canetas emagrecedoras/ Getty images
Canetas emagrecedoras/ Getty images


Brasília — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando 65 casos de mortes suspeitas que podem estar relacionados ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras — injetáveis amplamente utilizados no controle do peso e no tratamento do diabetes — entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, segundo dados do sistema oficial de farmacovigilância.



O número foi registrado por meio do sistema de notificações de eventos adversos e acende um alerta sobre a necessidade de acompanhamento contínuo desses medicamentos no país.


A agência reforça que as notificações são consideradas “suspeitas”, ou seja, não comprovam relação direta entre o uso do medicamento e a causa da morte, mas indicam a necessidade de monitoramento técnico.



📊 Eventos adversos registrados


No mesmo período, foram registradas 2.436 notificações de eventos adversos associados a medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, utilizados para controle da glicose e redução do apetite.



Entre os efeitos mais relatados estão náuseas, vômitos, diarreia e mal-estar gastrointestinal, já descritos nas bulas.


Também foram comunicados casos de pancreatite, inflamação do pâncreas considerada grave e que exige tratamento médico imediato.



💉 Medicamentos citados nas notificações



As notificações envolvem fármacos com diferentes princípios ativos, entre eles:

Semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy;

Tirzepatida, comercializada como Mounjaro;

Liraglutida e Dulaglutida, também indicadas para diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para obesidade.

Esses medicamentos se tornaram populares nos últimos anos, especialmente após estudos internacionais apontarem eficácia na redução de peso.



🩺 Posição da agência reguladora


A Anvisa esclarece que o simples registro de um evento no sistema de farmacovigilância não estabelece nexo causal automático.


A análise é feita de forma técnica e agregada, buscando identificar padrões que possam indicar riscos adicionais.



Até o momento, não houve alteração oficial no perfil de risco-benefício aprovado desses medicamentos. O órgão segue monitorando os dados e reforça a importância de que qualquer efeito adverso seja comunicado por profissionais de saúde.



⚠️ Uso deve ser acompanhado por médico



Especialistas alertam que o uso dessas medicações deve ocorrer exclusivamente sob prescrição e acompanhamento médico, com avaliação individualizada do paciente, histórico clínico e possíveis fatores de risco.



O crescimento da procura por tratamentos para emagrecimento, inclusive com uso off-label, tem ampliado a necessidade de informação qualificada e acompanhamento rigoroso.


Autoridades reforçam que, embora aprovados e eficazes para muitos pacientes, nenhum medicamento está isento de riscos, especialmente quando utilizado de forma inadequada ou sem supervisão profissional.

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