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Anvisa aprova lenacapavir, um novo avanço estratégico na prevenção do HIV no Brasil

  • Foto do escritor: Vozes de Brasília
    Vozes de Brasília
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura
Getty images
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (12/01), uma nova indicação para o medicamento Sunlenca (substância lenacapavir), abrindo caminho para seu uso como profilaxia pré-exposição (PrEP) com o objetivo de reduzir o risco de infecção pelo HIV-1 por via sexual. A medida representa um importante marco na política de prevenção ao vírus no Brasil, especialmente diante de um aumento nos casos de infecção registrados no país em 2024.


O que mudou com a aprovação


O lenacapavir — antirretroviral inovador de longo prazo — passa a poder ser utilizado por adultos e adolescentes a partir de 12 anos e com peso mínimo de 35 kg, desde que não estejam infectados pelo HIV-1 (confirmado por teste negativo antes do início da profilaxia).


A estratégia de PrEP consiste no uso de medicamentos por pessoas que ainda não foram infectadas, mas que apresentam risco de contrair o vírus, reduzindo significativamente as chances de transmissão.


Como funciona o lenacapavir


O lenacapavir atua bloqueando múltiplas etapas da replicação do vírus — inibindo a função do capsídeo do HIV-1 — impedindo que ele se multiplique no organismo e interrompendo a transcrição reversa, processo essencial para a infecção viral. O medicamento está disponível em duas formas:


Injeção subcutânea a cada seis meses;


Comprimido oral usado no início do protocolo terapêutico.



Essa formulação de meia-vida prolongada representa um avanço em relação às opções de PrEP tradicionais, como os comprimidos diários, que dependem de adesão constante para manter a proteção. Estudos clínicos demonstraram altos níveis de eficácia na prevenção do HIV com o uso de lenacapavir, superando em muitos casos os índices observados com a PrEP oral diária.


Importância para a saúde pública no Brasil


A aprovação ocorre em um contexto em que o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, aponta um ligeiro aumento nas detecções de HIV no país: foram 39.216 casos em 2024, contra 38.222 em 2023. A faixa etária com maior número de notificações inclui jovens adultos entre 20 e 29 anos — um grupo considerado prioritário para intervenções de prevenção.


Especialistas alertam que, apesar dessa elevação ter sido considerada leve, a adoção de novas ferramentas de prevenção como o lenacapavir pode ser decisiva para reverter tendências preocupantes, ampliar o acesso à profilaxia e reduzir as barreiras ligadas à adesão diária.


Próximos passos


Embora a Anvisa tenha aprovado o uso de lenacapavir para PrEP, o medicamento ainda precisa passar por análises complementares antes de ser disponibilizado oficialmente na prática clínica no Brasil:


A definição do preço máximo de venda pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED);


A avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerará evidências de eficácia, segurança e custo-efetividade para eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).



Um novo arsenal contra o HIV


A decisão da Anvisa segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que já havia incluído o lenacapavir como opção adicional de PrEP em 2025, classificando-o como uma das melhores alternativas disponíveis fora de uma vacina — que ainda não existe — para prevenção do HIV.


Com essa aprovação inédita, o Brasil dá um passo importante na luta contra o HIV, ampliando o leque de opções para prevenção e fortalecendo políticas de saúde pública voltadas para populações sob risco. A expectativa agora é que, com os próximos trâmites regulamentares concluídos, o lenacapavir possa se tornar uma ferramenta acessível e eficaz na proteção de milhares de pessoas em todo o país.

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