A urgente necessidade de combater a corrupção no Brasil
- Vozes de Brasília

- 29 de jun.
- 4 min de leitura

Opinião: Por Sebastião Vitalino da Silva
29/06/2026
Pesadelo da corrupção
Em breve se iniciará mais uma campanha eleitoral com vistas a ocupação das Casas Legislativas e do Executivo federal e estadual do país e, salvo raras exceções, pouco ou não se houve falar em combater a corrupção, a despeito de ser recorrente o número de escândalos, notadamente, os financeiros no Brasil e que arrolam figuras conhecidas da política e de instâncias de poder nacional.
O caso mais recente, e que envolveu poderosos da República, foi o do Banco Master e que colocou, mais uma vez, a corrupção no centro das atenções políticas no país, ao mesmo tempo que serviu para abafar outro escândalo, talvez ainda mais grave do ponto de vista da sociedade, que foi o de fraudes em empréstimos consignados do INSS.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investigou fraudes em empréstimos consignados, descontos associativos nos benefícios de aposentados e pensionistas até poderia ter sido um marco no combate à corrupção, no entanto, tal Comissão encerrou seus trabalhos, em março de 2026, de forma melancólica e sem a aprovação de um relatório final.
Tais situações, portanto, evidenciam que não há maior vontade no Brasil em se discutir a corrupção que destrói e mata sonhos e, o que é pior, elimina a possibilidade de se alcançar o desenvolvimento do país.
Falta de debate sobre a corrupção no país
Quando se volta as vistas para os discursos de pré-candidatos às eleições, a grande maioria desses debates se prende a maldizer e a realizar ataques mútuos que, à primeira vista, não demonstram interesse, não se sabendo se proposital ou não, em se apresentar propostas factíveis e necessárias ao combate à corrupção.
Caracteriza-se que a corrupção chegou a índices inaceitáveis no país ao ponto de se lesar milhares de pessoas, como se viu no caso dos consignados do INSS e, até então, não se viu uma ação mais contundente em desfavor dos representantes de associações criminosas que se formaram para roubar aposentadorias de idosos.
Ao mesmo tempo, é aterradora a sensação sentida na sociedade quando se percebe, como é caso do Banco Master, que a corrupção já está entranhada nas diversas instâncias institucionais do país, tornando-se em um método para assegurar a permanência no poder, aspecto esse que põe a Democracia em risco.
A corrupção como método para perpetuação no poder
Ao que parece, já há mais do que evidências de que a corrupção no país precisa ser combatida e, romper a inércia, é fundamental, cabendo sim, a todos os cidadãos deste país exigir que nossos representantes sejam probos e abominem as práticas corruptas, pois a corrupção drena recursos da saúde, da infraestrutura para o desenvolvimento e da educação.
Além disso, a corrupção traga a mente do cidadão, que impotentes diante de tanta desfaçatez de alguns de seus representantes, já não mais tem a quem recorrer, a não ser, à resignação com tantos eventos e práticas corruptas.
Temos, no próximo pleito que se aproxima a oportunidade de bem escolher e pôr fim ao método corrupto de perpetuação no poder, fator que implica em analisar bem a proposta de cada candidato ao pleito.
A questão
Com todos esses ingredientes, valho-me do clichê: - Até quando ficaremos inertes diante da corrupção que é endêmica e sistêmica no Brasil?
Fala-se endêmica pois a corrupção no Brasil já se tornou em um fenômeno em que as práticas ilícitas e os desvios éticos tornaram-se tão enraizados nos costumes de nossa sociedade que passaram a ser vistos como normais ou inevitáveis.
Ressalta-se que, diferente de um esquema pontual, ela já se infiltrou no cotidiano, nas instituições e na cultura, sendo muitas vezes tolerada pela população.
Por sua vez, é sistêmica pois as práticas corruptas já estão enraizadas nas instituições políticas e econômicas, deixando de ser atos isolados para se tornarem parte do próprio funcionamento do sistema.
Nesse cenário, a corrupção é generalizada e se retroalimenta, passando o sistema a depender dela para continuar operando.
É isso mesmo?
Da inércia à ação
Ainda resta esperança? Penso que a esperança de um país mais íntegro não nasce da resignação, mas da coragem de seus cidadãos. A história demonstra que nenhuma nação conseguiu reduzir a corrupção apenas por meio de leis mais severas ou operações policiais.
A mudança começa quando a sociedade deixa de tratar a desonestidade como um fato inevitável e passa a exigir ética, transparência e responsabilidade de todos aqueles que exercem funções públicas.
O Brasil dispõe de instituições capazes, de uma imprensa livre e de milhões de cidadãos honestos que, diariamente, constroem o país pelo trabalho. É essa maioria silenciosa que precisa assumir o protagonismo, acompanhando a atuação dos governantes, fiscalizando o uso dos recursos públicos, denunciando irregularidades e, sobretudo, fazendo do voto um verdadeiro instrumento de transformação.
O próximo processo eleitoral representa mais do que a escolha de nomes, e sim a oportunidade de reafirmar que o poder pertence ao povo e que nenhum mandato pode servir de abrigo para a corrupção.
A democracia fortalece-se quando o eleitor recompensa a integridade e rejeita aqueles que fazem do patrimônio público um patrimônio privado.
Combater a corrupção não é uma tarefa exclusiva do Estado, dos tribunais ou dos órgãos de controle. É um compromisso permanente da sociedade com as futuras gerações.
Enquanto houver cidadãos dispostos a defender a honestidade, a cobrar transparência e a não se conformar com o desvio do dinheiro público, haverá motivos para acreditar que o Brasil pode romper o ciclo da impunidade e construir um futuro mais justo, próspero e digno.
A pergunta, portanto, permanece: até quando? A resposta depende de cada brasileiro. O momento de transformar indignação em ação não é amanhã. É agora.
Vitalino Consultor
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Ótima sugestão! Reestruturar o sistema a começar no pleito/2026.