A crise suprema, independência ou morte


As reveladoras mensagens, expressas em relatório da Polícia Federal -
PF, inseridas todas no bojo de um processo que envolve o Banco Master, e
tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), tornadas públicas nesse
início de semana por seu relator, lançaram luzes sobre um suposto "aval"
de Ministro Supremo em operações pouco republicanas e que poriam em
risco a já combalida reputação e credibilidade da Corte junto à
população brasileira.
Por Sebastião Vitalino da Silva
Em 03/09/2026
Mais uma crise que afeta a institucionalidade no País
Em mais um momento de abalo reputacional do STF ante à opinião pública
nacional, as mensagens pouco republicanas, estabelecidas por Daniel
Vorcaro, ex-banqueiro preso por crimes contra o Sistema Financeiro
Nacional, com um notório representante do Supremo, levam a Corte a
mergulhar em uma crise sem precedentes e, o que é pior, sem que se
vislumbre uma alternativa e/ou solução para toda essa situação caótica
que se estabeleceu naquela Instituição.
Aqui não se pretende reapresentar os fatos que deram causa à crise atual
no STF, mas sim reavivar, no imaginário coletivo nacional, a forma de
como se permitiu que chegássemos a tal ponto, sendo isso tudo mais uma
demonstração clara ao país de que não há harmonia entre os poderes da
República.
Portanto, não se trata mais de defesa de um ministro "A" ou "B" do STF
e, sim, do impacto que toda essa crise trará a um poder simbólico da
República, cuja única força reside no pilar da confiança que a população
deposita no Sistema de Justiça para se cumprir a Lei no país. Fora isso,
resta a barbárie.
Nesse contexto, clama-se para que os representantes da Corte deixem de
lado as paixões individuais, reestabeleçam a confiança e que retomem o
papel constitucional de garantidores da aplicação da lei junto à
população brasileira, algo que precisa ser retomado pois,
responsabilidade institucional não se delega a outrem.
Os responsáveis por mais essa crise na Corte
Realmente, são gravíssimos os indícios e supostas práticas ilícitas
encontradas em relatório da PF, tornados públicos à grande mídia
nacional, e que envolvem um Ministro da Suprema Corte brasileira ao que
se sabe, aspecto que, por si só, exige, para o bem do interesse da
sociedade, uma resposta imediata ao povo e a apuração das
responsabilidades, independentemente, de quem seja.
Caracteriza-se isso pois, como não há vácuo de poder, qualquer que seja
ele, com providências e respostas ao povo, se evitaria que outros
viessem a assumir as responsabilidades próprias e peculiares à Justiça,
afinal, já passou da hora de o STF agir para se autoconter, no que toca,
principalmente, a atuação de determinados membros da Corte que, a olhos
de muitos cidadãos, mais parecem agentes políticos do que defensores
legais de nossa Constituição.
Fala-se, portanto, em se assumir a responsabilidade, que todos os
ministros da Corte deveriam ter para o cumprimento da Lei, quase que em
um processo de catarse, no sentido Aristotélico, para que se purgue e
purifique os eventuais malfeitos, supostamente, que teriam sido
praticados por seus integrantes e que se reestabeleça, com isso, a
confiança da população na principal instância da Justiça brasileira.
Omissões e responsabilidades?
Além do acima exposto, há outra figura, encarnada na pessoa do
Procurador-Geral da República (PGR), ao que parece, que teima em não
enxergar os desvios em contratos pactuados entre o escritório da esposa
de Ministro do STF e o ex-banqueiro master, também identificados em
relatório da PF. Será que o "fog" londrino, a fumaça do charuto e o
whiskey "macallan", os dois últimos patrocinados por Vorcaro, levaram a
perda de memória?
Mais uma vez, cobra-se a responsabilidade da principal autoridade que,
por lei e dever funcional, seria aquela a propor a ação penal. Não
obstante, o que se constata é que ele não viu nenhuma ilicitude
contratual, mesmo que o relatório da PF tenha apontada "edição desse
documento" em ambiente digital ligado ao gabinete de Ministro daquela
Corte, que é no mínimo muito estranho. Será que essa autoridade esqueceu
que a omissão teria um preço? Ou já haveria sido paga em degustação
"macallan"?
Por sua vez, o Senado Federal, cujo Presidente por diversas vezes expôs
aos quatro ventos que, sob sua gestão, não pautará pedido de
"impedimento" de ministro do STF, mostra-se no geral omisso com relação
ao seu poder de fiscalização das ações da Corte Suprema.
Em momentos de crise no Supremo, ainda há alguns senadores que se
mostram, ao menos em discursos indignados, serem a favor do impedimento
de ministros da Suprema Corte, ocasião na qual é protocolado mais um
pedido de impedimento, mas continua sendo uma reação pífia ante à
gravidade da situação que se está a analisar. Certo isso?
Por sua vez, esses mesmos senadores indignados seriam capazes de
mobilizar a população nas ruas para que se fizesse valer a sua
respectiva função de representante do povo? Tenho muitas dúvidas sobre
isso.
Por fim, somos também responsáveis por escolher mal, na hora do voto, os
nossos representantes, além de não os cobrar durante o exercício do
mandato parlamentar, aspectos esses que nos trazem de volta a pensar se
ainda precisamos dar o "Grito do Ipiranga" quando o assunto é política
em nosso país.
Independência ou morte?
Às vésperas do dia em que se comemora a Proclamação da Independência,
tal efeméride mereceria uma breve reflexão. Somos independentes
politicamente e livres para opinar sobre o nosso destino? A dependência
desses poderosos políticos, alguns travestidos de salvadores da pátria,
que gostam de degustar "macallan" em ambiente londrino, patrocinado por
banqueiro corrupto, nos assegurariam a independência e a liberdade no
país?
Particularmente, eu acredito que não e eu explico. Para aqueles leitores
mais atentos, ao se escrever este texto, pode-se facilmente constatar
que as palavras são medidas e ponderadas quando se referem a autoridades
da República deste país.
Com isso, percebe-se que há nítida autolimitação na crítica que se
poderia fazer, tudo com um receio natural de o texto ser censurado e/ou
bloqueado em redes sociais, por exemplo. Isso demonstra que já não se
tem a liberdade e a independência para expor ideias e, até mesmo,
demonstrar a insatisfação com tudo aquilo que aconteceu no caso banco
Master e ao suposto envolvimento de autoridades do STF com esse
escândalo, além da omissão do Senado e do PGR que teriam a prerrogativa
de dar uma resposta efetiva de solução da crise que no momento se
assentou na Corte Suprema brasileira.
Por fim, o que se deseja, às vésperas do 07 de setembro, é que com toda
essa crise, que envolve o STF, seja resolvida e que tal efeméride nos
inspire para a defesa do bem-comum, nos traga força para a defesa
incondicional de nossas aspirações de independência/liberdade e de
combate efetivo à corrupção como as identificadas no caso do banco
Master.
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Vitalino Consultor
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