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A crise suprema, independência ou morte

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Vozes de Brasília
4 de set.
5 min de leitura
Sebastião Vitalino. Colunista do Vozes de Brasília
Sebastião Vitalino. Colunista do Vozes de Brasília


As reveladoras mensagens, expressas em relatório da Polícia Federal -

PF, inseridas todas no bojo de um processo que envolve o Banco Master, e

tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), tornadas públicas nesse

início de semana por seu relator, lançaram luzes sobre um suposto "aval"

de Ministro Supremo em operações pouco republicanas e que poriam em

risco a já combalida reputação e credibilidade da Corte junto à

população brasileira.




Por Sebastião Vitalino da Silva


Em 03/09/2026


Mais uma crise que afeta a institucionalidade no País


Em mais um momento de abalo reputacional do STF ante à opinião pública

nacional, as mensagens pouco republicanas, estabelecidas por Daniel

Vorcaro, ex-banqueiro preso por crimes contra o Sistema Financeiro

Nacional, com um notório representante do Supremo, levam a Corte a

mergulhar em uma crise sem precedentes e, o que é pior, sem que se

vislumbre uma alternativa e/ou solução para toda essa situação caótica

que se estabeleceu naquela Instituição.


Aqui não se pretende reapresentar os fatos que deram causa à crise atual

no STF, mas sim reavivar, no imaginário coletivo nacional, a forma de

como se permitiu que chegássemos a tal ponto, sendo isso tudo mais uma

demonstração clara ao país de que não há harmonia entre os poderes da

República.


Portanto, não se trata mais de defesa de um ministro "A" ou "B" do STF

e, sim, do impacto que toda essa crise trará a um poder simbólico da

República, cuja única força reside no pilar da confiança que a população

deposita no Sistema de Justiça para se cumprir a Lei no país. Fora isso,

resta a barbárie.


Nesse contexto, clama-se para que os representantes da Corte deixem de

lado as paixões individuais, reestabeleçam a confiança e que retomem o

papel constitucional de garantidores da aplicação da lei junto à

população brasileira, algo que precisa ser retomado pois,

responsabilidade institucional não se delega a outrem.


Os responsáveis por mais essa crise na Corte


Realmente, são gravíssimos os indícios e supostas práticas ilícitas

encontradas em relatório da PF, tornados públicos à grande mídia

nacional, e que envolvem um Ministro da Suprema Corte brasileira ao que

se sabe, aspecto que, por si só, exige, para o bem do interesse da

sociedade, uma resposta imediata ao povo e a apuração das

responsabilidades, independentemente, de quem seja.


Caracteriza-se isso pois, como não há vácuo de poder, qualquer que seja

ele, com providências e respostas ao povo, se evitaria que outros

viessem a assumir as responsabilidades próprias e peculiares à Justiça,

afinal, já passou da hora de o STF agir para se autoconter, no que toca,

principalmente, a atuação de determinados membros da Corte que, a olhos

de muitos cidadãos, mais parecem agentes políticos do que defensores

legais de nossa Constituição.


Fala-se, portanto, em se assumir a responsabilidade, que todos os

ministros da Corte deveriam ter para o cumprimento da Lei, quase que em

um processo de catarse, no sentido Aristotélico, para que se purgue e

purifique os eventuais malfeitos, supostamente, que teriam sido

praticados por seus integrantes e que se reestabeleça, com isso, a

confiança da população na principal instância da Justiça brasileira.


Omissões e responsabilidades?


Além do acima exposto, há outra figura, encarnada na pessoa do

Procurador-Geral da República (PGR), ao que parece, que teima em não

enxergar os desvios em contratos pactuados entre o escritório da esposa

de Ministro do STF e o ex-banqueiro master, também identificados em

relatório da PF. Será que o "fog" londrino, a fumaça do charuto e o

whiskey "macallan", os dois últimos patrocinados por Vorcaro, levaram a

perda de memória?


Mais uma vez, cobra-se a responsabilidade da principal autoridade que,

por lei e dever funcional, seria aquela a propor a ação penal. Não

obstante, o que se constata é que ele não viu nenhuma ilicitude

contratual, mesmo que o relatório da PF tenha apontada "edição desse

documento" em ambiente digital ligado ao gabinete de Ministro daquela

Corte, que é no mínimo muito estranho. Será que essa autoridade esqueceu

que a omissão teria um preço? Ou já haveria sido paga em degustação

"macallan"?


Por sua vez, o Senado Federal, cujo Presidente por diversas vezes expôs

aos quatro ventos que, sob sua gestão, não pautará pedido de

"impedimento" de ministro do STF, mostra-se no geral omisso com relação

ao seu poder de fiscalização das ações da Corte Suprema.


Em momentos de crise no Supremo, ainda há alguns senadores que se

mostram, ao menos em discursos indignados, serem a favor do impedimento

de ministros da Suprema Corte, ocasião na qual é protocolado mais um

pedido de impedimento, mas continua sendo uma reação pífia ante à

gravidade da situação que se está a analisar. Certo isso?


Por sua vez, esses mesmos senadores indignados seriam capazes de

mobilizar a população nas ruas para que se fizesse valer a sua

respectiva função de representante do povo? Tenho muitas dúvidas sobre

isso.


Por fim, somos também responsáveis por escolher mal, na hora do voto, os

nossos representantes, além de não os cobrar durante o exercício do

mandato parlamentar, aspectos esses que nos trazem de volta a pensar se

ainda precisamos dar o "Grito do Ipiranga" quando o assunto é política

em nosso país.


Independência ou morte?


Às vésperas do dia em que se comemora a Proclamação da Independência,

tal efeméride mereceria uma breve reflexão. Somos independentes

politicamente e livres para opinar sobre o nosso destino? A dependência

desses poderosos políticos, alguns travestidos de salvadores da pátria,

que gostam de degustar "macallan" em ambiente londrino, patrocinado por

banqueiro corrupto, nos assegurariam a independência e a liberdade no

país?


Particularmente, eu acredito que não e eu explico. Para aqueles leitores

mais atentos, ao se escrever este texto, pode-se facilmente constatar

que as palavras são medidas e ponderadas quando se referem a autoridades

da República deste país.


Com isso, percebe-se que há nítida autolimitação na crítica que se

poderia fazer, tudo com um receio natural de o texto ser censurado e/ou

bloqueado em redes sociais, por exemplo. Isso demonstra que já não se

tem a liberdade e a independência para expor ideias e, até mesmo,

demonstrar a insatisfação com tudo aquilo que aconteceu no caso banco

Master e ao suposto envolvimento de autoridades do STF com esse

escândalo, além da omissão do Senado e do PGR que teriam a prerrogativa

de dar uma resposta efetiva de solução da crise que no momento se

assentou na Corte Suprema brasileira.


Por fim, o que se deseja, às vésperas do 07 de setembro, é que com toda

essa crise, que envolve o STF, seja resolvida e que tal efeméride nos

inspire para a defesa do bem-comum, nos traga força para a defesa

incondicional de nossas aspirações de independência/liberdade e de

combate efetivo à corrupção como as identificadas no caso do banco

Master.


Acorda Brasil!


Vitalino Consultor


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