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A 15 km da Praça dos Três Poderes, Santa Luzia expõe a desigualdade histórica do Distrito Federal

  • Foto do escritor: Vozes de Brasília
    Vozes de Brasília
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura
Comunidade Santa Luzia Estrutural
Comunidade Santa Luzia Estrutural




Enquanto o centro do poder político do país concentra decisões, prédios monumentais e infraestrutura de primeiro mundo, a apenas 15 quilômetros da Praça dos Três Poderes existe uma realidade completamente diferente. Na Comunidade de Santa Luzia, localizada na Cidade Estrutural, milhares de famílias convivem há décadas com a ausência do básico para uma vida digna.


Santa Luzia é um retrato cru da desigualdade do Distrito Federal. Cravada às margens do Parque Nacional de Brasília, a comunidade cresceu sem planejamento urbano, sem regularização fundiária e, por muitos anos, sem acesso pleno a água tratada, esgoto, pavimentação e serviços públicos essenciais. O contraste com o centro político do país não poderia ser mais simbólico.


Sobrevivência em vez de cidadania


Moradores relatam que viver em Santa Luzia sempre significou resistir. Ruas de terra que se transformam em lama durante o período de chuvas, esgoto correndo a céu aberto, moradias improvisadas e insegurança constante fazem parte do cotidiano. Em muitos trechos, o Estado só chega em situações emergenciais, deixando a população entregue à própria sorte na maior parte do tempo.


A falta de regularização fundiária mantém milhares de famílias em uma espécie de limbo jurídico, impedindo o acesso pleno a políticas públicas e investimentos estruturantes. Sem endereço formal, muitos moradores enfrentam dificuldades para conseguir emprego, crédito, serviços e até matrícula escolar.


Uma ferida urbana à vista do poder


Santa Luzia não é um problema invisível. Pelo contrário: está ao lado de rodovias importantes, próxima ao centro administrativo do DF e à capital do país. Ainda assim, por anos, permaneceu fora das prioridades do poder público. Especialistas em urbanismo e direitos sociais apontam que a situação da comunidade é consequência direta de omissões históricas, decisões políticas seletivas e da falta de um projeto real de inclusão urbana.


Para líderes comunitários, a ausência prolongada do Estado reforçou ciclos de pobreza, violência e vulnerabilidade social. “Aqui não faltou aviso, faltou vontade política”, resume um morador antigo da região.


Avanços pontuais, problemas estruturais


Embora obras e ações pontuais tenham sido anunciadas ao longo dos anos, moradores afirmam que os problemas estruturais permanecem. A urbanização incompleta, a fragilidade dos serviços públicos, a carência de escolas, unidades de saúde e oportunidades de emprego seguem como desafios centrais.


A comunidade cobra mais do que intervenções emergenciais: reivindica planejamento, regularização definitiva e políticas públicas contínuas, que tratem Santa Luzia como parte legítima da cidade — e não como um problema a ser empurrado para depois.


Um espelho incômodo


A existência de Santa Luzia tão próxima ao coração do poder nacional é um espelho incômodo para Brasília. Revela que a capital planejada convive, lado a lado, com bolsões de exclusão que desafiam o discurso oficial de desenvolvimento e modernidade.


Enquanto decisões bilionárias são tomadas a poucos quilômetros dali, milhares de brasileiros seguem lutando pelo direito básico de existir com dignidade. Santa Luzia não pede favores. Pede reconhecimento, respeito e políticas públicas que cheguem antes que a desigualdade se torne irreversível.

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